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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Soturna

Ontem você veio me visitar em sonhos. Tive raiva do seu atrevimento. Fez seu passeio por mim, roçou sua barba no meu rosto, me beijou, me abraçou, me enlouqueceu, e como sempre, sumiu. Sem dar muitas explicações, apenas evaporou, desapareu. Acordei com seu gosto em mim e tive muita raiva. Díficil explicar essas sensações do além que ficam como nódoa velha na alma. Estou tentando trabalhar, mas seu cheiro não sai. As vezes eu preferia morrer, a ter que te sentir assim diariamente. Você é mesmo uma maldição, uma cruz inclusa na minha catarse. Mas o que consola é que  me purifico do mal da humanidade carregando esse amor/dor. Por hoje aguardo a libertação que o tempo me trará. O tempo vai me redimir. O tempo e a morte. Enquanto ambos não chegam, vou catando borboletas, coletando flores, acendendo velas pra enfeitar o "grã finale". Enquanto não chegam, vou desenhando liberdade nos muros, fazendo novas tatuagens, escrevendo livros, plantando árvores, colecionando beijos, por que afinal, a vida continua....

Sandra Freitas

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