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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Liberdade


A liberdade é proporcional à qualidade do sofrimento. Quanto melhor se sofre mais intenso o sentimento de liberdade. Liberdade não existe sem o aprendizado da libertação de todos os seres vivos, em que os julgamentos de valor, que dependem do julgador, cessem para dar lugar à tolerância, solidariedade e compreensão. Julgar depreende-se e está subjacente sentenciar, condenar um ser humano a ser outro, que não ele próprio, perdendo a sua autodeterminação individual. Dar ou tirar o direito à liberdade do outro é condenar a uma prisão sem ferros, é ficar refém de desejos, caprichos de outros, que, por sua vez, estão reféns de si próprios. A dignidade humana começa na acção de cada um pela sua própria libertação.


Liberdade, oh liberdade!
Onde tens o teu chão?
Para uns és pura ilusão
Para outros, decepção

Sem rumo nem aprumo
Árvore curvada sem prumo
Flutua à deriva nos ventos
Dos caprichos dos elementos

Infliges dores, sofrimentos
Temperas de densos condimentos
De tentadores aromas, subtileza
Em alvas margens de areia presa

Sucede longa sombra à beleza
Com total impunidade e frieza
Pétala a pétala a terra desflora
Em sangue a morte lenta aflora

Breves suspiros concisos revolvem
Invertendo as terras que sentem
As raízes em sangue sofridas de dor
Que implodem em gritos de cor

Abrem-se as terras e as sementes
Em movimentos de fadigas dementes
Rasgando em espiral o céu paciente
Que integra a vida plena omnisciente


Manuela Vieira
em participação especial


Manuela
Deslumbrei-me com a sua introdução ao poema e depois o próprio poema.
Achei um grande momento na Casa da Poesia!
Sempre disse estar perante uma grande Escritora!
Beijo do ZÉ



Beatriz Prestes Magistral Manuela!

Difícil comentar quando o coração cala...
Que lindíssimo!
Beijo com carinho
Bea

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