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sábado, 21 de julho de 2012

Dona Vitalina


Dona Vitalina

Vitalina era o nome dela. Mulher forte, guerreira
Enviuvou cedo, com três crianças ainda pequenas.
Trabalhava de servente numa Escola Estadual e foi assim que criou os filhos.
Dona Vitalina era a minha avó, e eu, (acho), era s sua neta preferida (rsrs). Ah, eu era sim. E olha que ela teve 15 netos!
Cresci em seu colo e em seu colo fiquei até poucos dias antes dela ir
embora.
Foram vinte e três anos de colo, de carinho gostoso, de aconchego, de cumplicidade...
Não consigo me lembrar dela sem me emocionar
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Eu a acompanhava pra todo lado. Nas visitas as amigas, nas lojas, nos mercados, ou simplesmente para um passeio.
Todas as vezes que saíamos ela passava na Casa de doces Brasil e comprava pra mim um doce que eu adorava. (Até hoje vou lá)
Ela comprava roupas, calçados, me dava presentes, e às vezes muitas broncas também.
Mas essas logo passavam. Nada que um abraço apertado, um beijo, ou só um sorriso, não desse conserto.
Não me esqueço de um dia eu já grávida das minhas filhas, com a cabeça deitada em seu colo. Ela acarinhava meus cabelos enquanto conversávamos.
Já fazia um tempo que ela reclamava de dores no estômago. Mas era teimosa, não queria saber de ir ao médico. Ficava brava se alguém insistisse... Só ia se fosse amarrada.
Um dia, cansada de vê-la gemer de dor, eu é que fiquei brava. Falei sério com ela, chamei-lhe a atenção e disse com firmeza que ela iria sim ao médico. Mande que ela trocasse a roupa. É... eu mandei porque pedir não ia adiantar.
Então ela foi... ela foi e não pode mais voltar pra casa
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Minhas filhas estavam com 15 dias de nascidas. Um dia ela pediu pra vê-las.
A última lembrança que tenho é de estar com minhas filhas no colo no pátio de fora do hospital e ela da janela do quarto acenando e sorrindo...
De um lado a vida desabrochava em meus braços e do outro se despedia...
E eu ali no meio morrendo por dentro de tristeza e de alegria
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Até hoje quando me lembro penso que, talvez se eu não tivesse insistido tanto com ela, ela teria vivido um pouco (mas esse é o meu lado egoísta) porque eu sei que ela sofreria muito mais...

Isso aconteceu dois anos após perdermos meu irmão. Aquele do violão e Dom. dom. dom...


E a vida continua...

regina ragazzi 

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