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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Página virada


Uma nova página da vida está sendo vivida,
Sinto novamente um tom de sarcasmo da vida.
Pensei ter encontrado aquele alguém especial,
Infelizmente me decepcionei.

Estou à procura talvez de você!
Dividir alegrias e tristezas,
As derrotas e também as vitórias.
Busco viver uma vida de amor, respeito e confiança.

A vida é assim...
Como num passe de mágica,
Alguém passa a ser importante em nossa vida,
Mas agora, é apenas mais uma página virada...


Graciele Gessner

Ano 2010: Hora de Acreditar


Hora de acreditar

Na inexistência ainda de uma manhã, procuro na madrugada a dimensão da verdade. A tristeza rasteja baixinho e foge não encontrando um sentido. Nasce assim a certeza da razão numa verticalidade inquietante. Um sorriso, um peito aberto, um suspiro ao amanhã que vem com ganas de viver. Tudo vai rodar em torno da razão, mas é o sentimento que dita o caminho, é a mão quente que desenha o mapa dos passos que vão surgindo dia após dia. A respiração ofegante apressa o minuto seguinte. A perseverança traz o trabalho, traz o sustento que esquece os dias de um Inverno rigoroso na alma e na mente. As letras são meras figuras dançantes que me iludem o sorriso pela esperança de as tornar palavras. Agora é hora de arregaçar o olhar e seguir em frente arrastando comigo os que acreditam que está na hora de acreditar.
.
Até sempre!

Vanda Paz


NOVO ANO

Todos queremos dobrar a esquina do vento
para secarmos rajadas de angústia
nascidas de sonhos que ficaram por acontecer
em cada noite, em cada madrugada.
Todos queremos um novo dobre de sino
que toque em galope desenfreado
árias de alegria em cada alvorada.

Todos queremos consertar as velas do barco
e navegar por trilhos desenhados
com novas cartas de marear.
Todos queremos fazer da vida
um alvoroço de alegres tons
talhados em esboço de constante dançar.

Todos queremos apagar rugidos gritados
em vielas silenciosas de desilusão
pegar nos fragmentos de vida
que um dia se escaparam da mão.

Todos queremos dobrar a esquina do vento
para lançar à vida sementes de magia
e construir assim um novo ano
colhendo e bebendo brisas de alegria.

PARA O NOVO ANO, DESEJO A TODOS
QUE COLHAM E BEBAM BRISAS DE ALEGRIA.

Marta Vasil

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Rumos



As pedras da calçada
Choram quando por lá passas!
São a elas que os teus pés
Pisam na sina por ti, escolhida…

Choram e gritam na vã esperança
De as ouvires um dia…
E ao mudares o teu rumo
Talvez o sol assim sorria!

Ana Coelho

Peço ao vento


O vento sopra lá fora
Me aqueço na recordação dos teus braços
Peço ao vento que cante agora
Que se inspire e cante o som dos teus passos

A neve cai na estrada
Beija o chão num beijo lindo
E a olhar fico parada
Olhando o vento que a beija sorrindo

Ao vento sussurro e peço
Que use a sua magia e afaste este frio
Que parta e traga no seu regresso
A tua voz, melodia do meu vazio

Em poesia traz-me o teu beijo
Palavras que trocamos
Traz-me o aroma, prova do desejo
Saudade que delira, porque em delirio nos amamos!


Fernanda Rocha Mesquita

Infinito...


Vou à janela... olho para o infinito
Figurou um amor e já nada sinto
Sentimento de revolta e frustração
É o que sente o meu estéril coração!

Coração que nem estátua de pedra
Ou será feito de um bocado de gelo
Ou terá sido tirado de um penedo?
Enviado velozmente para o degredo!

Degredo que faz esquecer a saudade
Tira a maldade,e a própria verdade
No desterro, esconde-se um segredo
Que foi tirado de um grande penedo!

E no cárcere ficou a grande desilusão
Em raiva contida... após um furacão
Chorando de dor sentida, sem pudor
Vi a temível tempestade no seu furor!



Maria Valadas

Pintura: Salvador Dali

Amor solitário!


Amo-te
solitário no meu viver!
Não importa se me amas,
se ainda me amas!

Amor
trás sofrimento,
não lamento.
Apenas relembro
para matar a saudade
da minha entrega
sem nada te pedir!

Apenas
sereno a alma,
de dar tudo
que existia em mim!

Paixão,
compreensão!

Que restou:
um corpo com
as marcas do amor
que levarão tempo
para desvanecerem…

O que ficará…
Um amor,
um grande amor,
que se tornou
num amor solitário!

José Manuel Brazão

É preciso!


É preciso reatarmos a paz de outrora
Sermos socialmente justos e aceitáveis
Sorrirmos nos alegres risos da aurora
Sacudir tormentos, fardos inaceitáveis!

Numa antevisão do futuro predestinado
Estratégias ancoradas num mundo real
Em desaires confinados no sulco limitado
Integrado na concorrência de algo irreal!

Desejáveis atitudes lutam na esperança
De crenças eficientes, causas idealizadas
Contra asfixia e pressão, com vigilância
Em cenas prováveis subtis atemorizadas!

Negocia-se globalmente com temperança
Afastam o grande descalabro de emoções
Eliminam-se ideias nefastas de vingança
E, valoriza-se a paz em todas as nações!

Maria Valadas

Pintura: Ed Ribeiro

Pedaços de inspiração


Versos não escritos.
Parceria desfeita,
Sentimentos inquietos.


Sintonia quebrada.
Fragmentos em declive;
Composição não constituída.


Versos não ditos.
Sentimentos não proferidos.
História sem futuro...


Versos soltos no mundo,
Versos sem seus donos.
Dueto despedaçado...
... Não concretizado.

Graciele Gessner

Mudança em mim


Fragmentada por partículas
A vida é um movimento constante
No tempo e no espaço,
Oscila como uma balança
Com focos
Do pensamento e da emoção…

Batalha entre aceitar e vencer
Crer e compreender
Mudar ou ficar
Na (in)certeza…

Toda a razão fervilha em sangue quente
Impulsos indomáveis no calor da mente,
Arrefecida pela deslocação coerente
Com todo o aprender perto do saber…

Um trovão em relâmpagos
Assombra a leveza, despedaça o conforto
A universalidade fica em ebulição,
Um clamor de silêncio amarra a essência…

Grito!
Sem saber o que queres de mim?

Mas a revelação de luz
Faz-se ouvir na consciência alva
Assim que rompe
O primeiro raio de sol…
Os olhos procuram na concepção
E já nada existe para além daquilo
Que é real conjecturar…

A subtileza de voar no silêncio só meu
Aquele que o teu universo
Não consegues escutar,
Levito na indiferença
Da ferida que queres abrir…

Ah! Então toco o céu
Com a ponta dos dedos
E contemplo a oscilação da terra
E toda a mudança é possível…

Ao som do respirar
Grito!
Sou livre e livre vou continuar…
Mesmo que teimes em ficar,
A mim não me vai atordoar.
A vida muda todos os dias
Só um grito de amor a pode inovar…

Ana Coelho

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Raio de Sol


Viver é tão complexo,
É algo tão raro no mundo
Pessoas que conheço apenas “existem”,
Não conhecem “a arte de viver”.
Talvez porque não tiveram chances (...)

Quando surge a mínima oportunidade,
São cruelmente “assassinados”.
Não chegam a conhecer
O belíssimo arco-íris.

Deus nos dá várias ocasiões oportunas.
Quando a desperdiçamos não tem volta,
A porta se fecha para sempre.

Reaprendemos a arte de viver.
Felizes pelo surgimento do raio de sol,
Somos atingidos com um “golpe”
Para levantar é muito difícil.

Deus coloca pessoas iluminadas
Como um novo raio de sol,
Mas muitos não compreendem
Este sinal fantástico de libertação

A vida é um espetáculo!
Vejamos os novos horizontes.
Sejamos alunos da arte de viver.
Sejamos como um raio de sol!


Graciele Gessner.

Um encanto ler a Poesia de Graciele!
Muito sucesso
Beijos
José Manuel Brazão

Nota: "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe". (Oscar Wilde)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O amor


O amor, já veio em fonte
Numa lenda de um monte
Na carochinha a casar
Cauda de sereia pelo mar

Ele já morreu na praia
Na onda que veio louvar
Entre a chama de uma pedra
Que na outra foi atear

Já foi sonho de menina
Pensando o que iria encontrar
Barco debaixo da ponte
Gôndola perdida no olhar

Já foi lamparina acesa
No intenso sol a entrar
Estrelas, de noite incessante
Alumias de um olhar.

Cristina P. Moita

Do amanhã


Que desinteresse ridículo
daquilo que é branco e solto.

Perdi as estrelas
que viviam nos meus olhos,
deixei-as por aí algures
na imensidão deste abismo
que atropela o dia de amanhã.

Talvez
a mão tenha o significado
que tanto procuro,
desde que nasci ditou-me o futuro.

Talvez
o bloqueio da fonte áspera
dos pensamentos
forme bouquets de palavras
de todas as cores
enlaçados por aquilo
a que chamamos de teoria.

O futuro
entorna-se pelos próximos dias,
entorna-se de secura e calor,
de aquecimento e morte,
mesmo escorrendo a chuva nos cabelos.

E tu não penses que te vais salvar,
porque bebeste da mesma fonte que eu,
és tão culpado como quem se esconde
nas sombras da própria vida.

O deserto chega com fome.
O deserto devora
o verde esperança do tal amanhã.

Já não vale a pena chorar
porque as lágrimas já não fazem mar.
Do grito só o eco toma forma
porque ao mastigarmos o prazer sufocámos a vida.

Agora
está na hora de ajeitar a noite
para que durma o amor pela vida que ainda persiste.

Vanda Paz

Eu e a Márcia


Conheci Márcia Oliveira como tantos outros no Mundo da Poesia.

Entre muitos ficam sempre aqueles que nós tratamos como irmãos!

Márcia é o expoente máximo de dedicação: não pode sentir-me com saúde mais frágil, nem pode sentir-me triste! Tem de mim uma imagem, que porventura não serei merecedor tanto assim!

Há pouco tempo escreveu o seguinte:

"Já tenho a certeza de que ele traz no seu coração toda a alegria de viver. Isso é contagiante. Distribui afecto com uma facilidade ímpar. O admiro por sua bondade, generosidade e pelo carinho que me dispensa.
Não sou ninguém para fazer o que vou te dizer, mas o farei em nome da gratidão e do carinho da nossa amizade....
Deus te proteja, te abençoe e ilumine os seus passos, as suas palavras e os seus actos.

Márcia Oliveira.
"




Beijo com carinho
José Manuel Brazão

domingo, 27 de dezembro de 2009

Novos caminhos


Neste grande amor,
viveram-se momentos
de paz e harmonia,
que avivavam
nossos sentimentos!

Tivémos
lições de vida,
amor distante,
mas sempre próximo:
tu aqui
e eu aí!

Sentíamo-nos!

Viste Luz,
eu serenidade
e caminhámos juntos!

Chegou a hora
de nós "partirmos"
em missões diferentes!

Momentos vividos
e não esquecidos,
que construíram
laços de amor!

Tu aí,
eu aqui
e depois…
… para além
da nossa existência!

José Manuel Brazão

sábado, 26 de dezembro de 2009

NÓS e a Poesia de Amor: um blog com uma história que teve um fim!

Beijos e Abraços de
Nanda Salles e José Manuel Brazão




Parti...
Parti ao encontro
de um anoitecer
que alivie minha alma,
depois de um amanhecer,
que aparecia
com um sol radioso,
mas enublou minha vida!

Nesse amanhecer,
vivi esperança,
paixão e amor.

Quando ia o Sol,
vinha o poente
e no silêncio da noite,
meu coração ficava doente!

Esse amor adormeceu,
tornou-se sono profundo,
para não acordar!

Mas acordei
e vi uma Luz,
que não era o Sol
do amanhecer,
mas um sinal
para não ir por aí…

Confiei,
errei
reflecti:
o amor é belo,
mas vivido
com bom senso,
compreensão
e entrega!

Recordei:
um amor por viver,
palavras belas
sem convicção,
promessas sem fim
em encontros
e desencontros,
nesta caprichosa vida!

Com um amor assim,
sempre em frenesim,
disse não
e parti…

José Manuel Brazão



Lágrimas
Sinto em meu rosto
Uma lágrima rolar
Como gota de orvalho
Minha face molhar

Gotas amargas
Encharcadas de dor
Sinto-as em minha face rolar
Lágrimas que outrora
Foram de alegria
Lágrimas de amor
De sonhos
Fantasias
Hoje tornaram-se melancólicas
Vadias
Lágrimas de agonia
Agora regam meu dorido coração.
Que não sei por que razão
Teima em bater
Pulsar
Viver

Talvez este ferido coração
Ainda tenha esperança
De ser novamente regado
Por cristalinas e verdadeiras
Lágrimas da mais pura paixão.

Nanda Salles

Os caminhos que a vida abre...


Rosangela Colares

Aquilo que a Vida me deu


Filhos do Universo
Meus filhos
vão partindo,
deixando Luz,
cheiro e amor!

Escolhem o seu caminho:
aqui com oportunidades,
ali com contrariedades!

Pai resignado,
continua vigilante
e expectante
no seu silêncio!

Pai cansado,
mas com vontade de viver,
continua a estrada da Vida!

Pára e olha;

vê os seus filhos,
serem filhos do Universo!

Um Avô!
Passa o tempo
sem dar por isso!

Os netos crescem,
procuram-me
e não me encontram!

Ando por aí,
olhando por este,
ajudando aquele.

Passa o tempo
e meus netos crescem!

Não os vejo,
mas imagino
o amor
que nos atravessa.

Não os vejo,
mas sinto-os
a todo o instante!

Não me encontram,
mas sabem
que estou vivo,
sempre com o amor
por mensagem…

José Manuel Brazão

Belo poema , como sempre o poeta com as palavras fluindo com harmonia e sentimento,certamente um imortal.Parabens José Manuel.
abraços poeticos de sua admiradora
Jane Freitas

O Amor é assim...


Seguia o meu caminho,
sem destino,
mas pensando
na Luz que me guiasse!

Enquanto não apareceu
fui andando,
andando…

Parava
e olhava
e pensava
no caminho
percorrido na Vida,
nesta Vida!

Surgiu grande “pedra”
em forma de Mulher!

Fez-me parar!
Parecia
não me deixar,
nem me afastar
ou continuar!

Que desejaria ela?

Que queres “pedra”?
Porque me barras o caminho,
que desejo seguir!

Amor:
este é o encontro
do desencontro!
O Amor é assim…

Lembrou-me
o passado
que eu conhecia
e que ela viveu!

Fiquei junto dela,
recordando
o que a Vida nos dá
e que distraídos,
não compreendemos,
não agarramos,
não fortalecemos!

Mas o amor é assim…
Cega-nos
e só voltamos a ver
com a tal Luz,
quando se dá:
o encontro
do desencontro!

José Manuel Brazão

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Natal: brilharam as estrelas!


Pela noite
passaram pela memória,
memória do tempo,
familiares,
amigos, Poetas,
gente anónima,
num desfile
de carinhos,
generosidade
e solidariedade!

Pela madrugada
vi o Céu
e as estrelas
brilharam para mim,
anunciando:
o Poeta está vivo,
o Homem renasce
para ser melhor
do que foi ontem…

José Manuel Brazão

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

PAZ HARMONIA e AMOR

Natal sem vós


Noite fria,
silenciosa,
eu aqui
de corpo gelado,
mas o coração quente!

Penso,
penso muito
em noites destas,
que passaram
e não ficaram!

Penso muito
nos que partiram,
e nos que ficaram!

Penso ainda
nos que estão longe,
que me apetecia beijar,
dizer-lhes
quanto os amo,
quanta saudade
que corre em mim!

Natal
após Natal
e não verei,
quem queria!

Olho fotos
os meus olhos
sempre postos
no sorriso
de crianças…

Uma lágrima corre,
molhando a angústia,
a tristeza
no vazio do meu coração!

José Manuel Brazão


Dedicado a crianças que estão no meu pensamento.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal


De repente o sol raiou
E o galo cocoricou:


— Cristo nasceu!


O boi, no campo perdido
Soltou um longo mugido:


— Aonde? Aonde?


Com seu balido tremido
Ligeiro diz o cordeiro:


— Em Belém! Em Belém!


Eis senão quando, num zurro
Se ouve a risada do burro:


— Foi sim que eu estava lá!


E o papagaio que é gira
Pôs-se a falar: — É mentira!


Os bichos de pena, em bando
Reclamaram protestando.


O pombal todo arrulhava:
— Cruz credo! Cruz credo!


Brava
A arara a gritar começa:


— Mentira! Arara. Ora essa!


— Cristo nasceu! canta o galo.
— Aonde? pergunta o boi.
— Num estábulo! — o cavalo
Contente rincha onde foi.


Bale o cordeiro também:


— Em Belém! Mé! Em Belém!


E os bichos todos pegaram
O papagaio caturra
E de raiva lhe aplicaram
Uma grandíssima surra.

Vinícius de Moraes

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Olhai Mundo (Natal dos Pobres)


Vem aí
mais um Natal!

Data cristã,
mas pouco tem de irmã!

Olhai Mundo
para a abastança,
a loucura, o frenesim
de quem
não precisa de poupança!

Olhai Mundo
para o Natal dos Pobres,
sem um cobertor,
sem pão
e apenas um coração,
com dignidade,
esperando compaixão
e um alimento para a alma,
que os ajude a entender,
os contrastes da Vida!

Olhai Mundo,
para o Natal dos Pobres:
não toleremos,
estes
sem um cobertor
e outros
com um “vison”!

Olhai Mundo,
para o Natal dos Pobres:

O meu grito de revolta,
soará até ao Infinito!

José Manuel Brazão

Natal...sempre


As ruas enchem-se de Natal
O tempo é de festejar
De uma esquina a outra
É o artificial
Que ilumina a noite
Luzes, música
Correria ofegante
Tudo tão brilhante
Tão sonante


Na multidão em movimento
O Natal de tantos
É apenas olhar
A alegria das ruas
O riso dos outros
Os sacos enfeitados
Laços, presentes
Que nunca tiveram
E sempre esperaram


Mas é no olhar das crianças
Que brilha a Estrela
A indicar o caminho
Que nos mostra o Natal
Sempre num berço
De Menino.

Helena Paz

Noite de Natal


Triste
e amargurado,
faço o meu caminho,
com mais dificuldade,
parecendo atordoado!
Estou num deserto
ao cair da noite,
não vejo ninguém,
por perto.
Olho ao meu redor,
vejo pegadas na areia.
Fico ansioso
porque as pegadas:
são as minhas pegadas.
Que dor, Senhor!
Palpita meu coração,
que procura
a minha dignidade,
não por compaixão,
mas por solidariedade.
Pura desilusão,
para quem respeita,
o amor,
o solidário amor…

José Manuel Brazão

Laurita disse...
"A solidão é um elo de ligação entre o coração e a alma"

O que vejo em mim


A vida é caprichosa,
nem sempre generosa,
mas sempre carinhosa!

O que vejo em mim?

Tenho a vida
Como um caminho
onde procuro Luz,
encontrar-me:
viver o que não vivi,
amar quem não amei,
corrigir o que não corrigi,
estar ao lado fracos,
dos que não têm voz
e esperar…

Com fé e esperança,
Ele há-de sorrir-me,
proteger-me,
orientar-me!

Pareço não ter nada
e tenho tudo…
… pão e amor!

José Manuel Brazão

Parti...


Parti ao encontro
de um anoitecer
que alivie minha alma,
depois de um amanhecer,
que aparecia
com um sol radioso,
mas enublou minha vida!

Nesse amanhecer,
vivi esperança,
paixão e amor.

Quando ia o Sol,
vinha o poente
e no silêncio da noite,
meu coração ficava doente!

Esse amor adormeceu,
tornou-se sono profundo,
para não acordar!

Mas acordei
e vi uma Luz,
que não era o Sol
do amanhecer,
mas um sinal
para não ir por aí…

Confiei,
errei
reflecti:
o amor é belo,
mas vivido
com bom senso,
compreensão
e entrega!

Recordei:
um amor por viver,
palavras belas
sem convicção,
promessas sem fim
em encontros
e desencontros,
nesta caprichosa vida!

Com um amor assim,
sempre em frenesim,
disse não
e parti…

José Manuel Brazão

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sou assim, simples mulher...


Pensei ser a alma ser a deusa de alguém
Ser alma rainha por esse alguém amada
Ser veneração noturna que esse alguém tem
Ser balsamo, ser flor, ser pela sua dor procurada

Ser deusa de alguém, desejo grande demais
Para minha pobre alma, pobre mortal
Reduzo meus ensejos a pequenos ais
Ser deusa de alguém, desejo tão pouco real

Desejo que de mim se ri, de mim desdenha
Quando na ilusão me deito, a ilusão abraço
Que sou rainha com direito a aspiração tamanha
Ser a destemida procura de outro ser em cansaço

Mas rainha não sou, sou assim, simples mulher
Que apenas sonha com quem ao meu lado está
Apenas um amor, minha alma elege, minha alma quer
Apenas a uma alma, rainha da minha, a minha se dá

Se por um segundo, alguém grande se mostrasse
Mesmo que minha alma se sentisse sozinha, doída
Meu amor por ti mandaria que se afastasse
Jamais essa outra alma seria por mim, procura querida!

Fernanda Rocha Mesquita

Rei D. Dinis e a Poesia


Fragmento de canções do rei D. Dinis, descoberto pelo Prof. Harvey L. Sharrer. IAN/Torre do Tombo.


Ai flores, ai flores do verde pinho
se sabedes novas do meu amigo,
ai deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado,
ai deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquele que mentiu do que pôs comigo,
ai deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquele que mentiu do que me há jurado
ai deus, e u é?

(...)

D. Dinis

Como vejo o Natal com as Crianças!




Rosas da minha vida

As minhas rosinhas,
rosas da minha vida,
crescem viçosas,
viradas para o Sol,
que as aquece
dando-lhes amor!

São tratadas,
com carinho
para sorrirem
num futuro azul,
como o céu!

Serão preparadas,
para repartir amor,
exalar paixão,
por quem
lhes estenda a mão
nesta magia
onde haja amor
e compaixão!

Estas rosas,
rosas da minha vida,
olhando,
vejo-as como Anjos…

José Manuel Brazão

domingo, 20 de dezembro de 2009

O que me resta


Resta-me um tempo
que não tive,
a certeza da verdade,
acompanhar
o que sobrevive,
sobrevivendo com felicidade.

Imaginar a plenitude,
observar o que nunca vi,
segurar bem a saúde
e ler o que jamais li.

Resta-me aguardar o futuro
vivendo moderadamente;
perceber porque me torturo
nesta ansiedade premente.

Resta-me abraçar
quem nunca abracei
ajudar a quem o não fiz,
ver tudo aquilo
que imaginei,
sentir-me para sempre feliz!...

E resta-me olhar para ti!

António MR Martins

É assim o Natal


É Natal
As ruas iluminadas
Em espelhos de luz
O amor que se reproduz
Em mil estrelas de alegria
No calor dos sorrisos
Vidas repletas de cor
É a magia do nascimento

É Natal
São pedaços de Deus
Pintados nos laços
Do aparecimento sublime
Jesus a voz viva do salvador
Em glórias do divino céu
Partilhas anunciadas
Na conciliação que reina

É Natal
Tempo de fraternidade
Em sopros de união
No trono da paz em cada coração
Erguem-se os símbolos
De vigor e esplendor
No mais íntimo sentido
Do verdadeiro amor divino

É assim o Natal…
Renasce o autêntico sentido da vida…

Ana Coelho

Veio de coração crente


Se a árvore está escura
E a lareira apaga
Não há vaga lume
Na aresta da falha

Coração de lume
Que acende na palha
Menino do mundo
Herança de amor

São pés em arraste
Veio de coração crente

O amor é plaga
De um anjo carente
Na sorte que marca
Coração e gente

Na História valente
Há sempre uma falha
Na serra que neva
Na alma que guarda

Querendo o mais quente
Arremessando pedrada

Mas o amor é gente
De alma lavada
Fósforo e acendalha
Pregando na estrada.

Cristina P. Moita

Estrela da manhã


Numa qualquer manhã, um qualquer ser,
vindo de qualquer pai,
acorda e vai.
Vai.
Como se cumprisse um dever.

Nas incógnitas mãos transporta os nossos gestos;
nas inquietas pupilas fermenta o nosso olhar.
E em seu impessoal desejo latejam todos os restos
de quantos desejos ficaram antes por desejar.

Abre os olhos e vai.

Vai descobrir as velas dos moinhos
e as rods que os eixos movem,
o tear que tece o linho,
a espuma roxa dos vinhos,
incêncio na face jovem.

Cego, vê, de olhos abertos.
Sozinho, a multidão vai com ele.
Bagas de instintos despertos
ressuma-lhe à flor da pele.

Vai, belo monstro.
Arranca
as florestas com os teus dentes.
Imprime na areia branca
teus voluntariosos pés incandescentes.

Vai

Segue o teu meridiano, esse,
o que divide ao meio teus hemisférios cerebrais;
o plano de barro que nunca endurece,
onde a memória da espécie
grava os sonos imortais.

Vai

Lábios húmidos do amor da manhã,
polpas de cereja.
Desdobra-te e beija
em ti mesmo a carne sã.

Vai

À tua cega passagem
a convulsão da folhagem
diz aos ecos
«tem que ser».


O mar que rola e se agita,
toda a música infinita,
tudo grita
«tem que ser».

Cerra os dentes, alma aflita.
Tudo grita
«Tem que ser».

António Gedeão

sábado, 19 de dezembro de 2009

Saudades desse tempo!


Tens saudades,
saudades desse tempo,
do tempo
com os filhos da Verdade (Vida),
que sofriam
num sorriso cativante;
a tua mão
pegava no pão
que era para a tua boca
e estendia-se
para essas bocas sedentas
de uma côdea!

Sentias alívio,
sorrias;
o teu coração
derramava amor
por esses filhos da Verdade,
que hoje
recordas com saudade,
paz e tranquilidade,
por essa Verdade (Vida)…

José Manuel Brazão


Poema dedicado ao coração inquietante da minha querida Amiga Cristina P. Moita

Neste ano


Tive muitas experiências neste ano.
As quedas fazem parte da vida, perder pessoas que amamos também, as rasteiras que os invejosos tentam te dar, também faz parte da vida.
Aprendemos com tudo isso.
Que dói, dói. Ah! Isso é inegável!
Só que o humilhante não é cair, mas ficar no chão enquanto a vida continua seu curso.
Você, melhor que ninguém sabe, que os dias passam, sua vida muda radicalmente, e sem pedir permissão.
Conseqüentemente a Terra continuará a girar, milhares de pessoas estão perseguindo seus objetivos e tirando deles o melhor proveito.
Continuar... É sinônimo de vitória. Só quem alcança é aquele que é vencedor, só quem vence é aquele que sabe perdoar os mais fracos. E persevera no seu propósito. Nos seus ideias.
Continuemos! É a vida.
Ainda há tempo para que façamos com que 2009 seja de COMPREENSÃO, PERDÃO VERDADEIRO, determinação e crescimento.

Abraço carinhoso.
Rosangela Colares


Uma flor para a minha querida Amiga Rosangela
José Manuel Brazão

Jardim ao luar


Num jardim de luar
Bailo no silêncio
Das tuas ardentes mãos

O corpo inflama
Nas fontes nítidas
Estrelas infinitas
Nas curvas do profundo olhar

Os lábios seguros ao horizonte
O mundo renasce
Com os ombros colados
No rasto do céu…

Acalento o teu perfil a sorrir
Na concha da ilharga
Densa
Esvoaçam asas na espuma
Por ti vertida…

Enroscam-se nus os sentidos
Dança a valsa do espírito
Nos impulsos em ecos

Acordam notas soltas
Bebidas com sofreguidão…

Ana Coelho

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Vou, vou por aí


Vou,
Vou por aí…

na busca do amor,
distante
e próximo!

Por vezes
na minha mão,
Outras
voa sem norte,
na procura
do que não encontra!

O amor
está sempre,
onde deve estar:
no coração de cada um…

José Manuel Brazão

Menino sem colo


És alma pura que a cascata da vida deveria refrescar
És esperança como Homem de amanhã
És nascer que o Mundo deveria respeitar
És um aprendiz da vida que tem a mente sã

As tuas armas têm o resplendor, têm a luz
Têm a alegria, a esperança como caminho
Mas a escuridão do Mundo, à solidão te conduz
Sem entenderes porque caminhas sózinho

O ventre que te acolheu e expulsou, desconheces
Porque não ri em tua alegria e beija tua tristeza
Porque não é o canto em que adormeces
Porque não é o colo onde a vida é certeza

Como forasteiro de um lugar que deveria ser
Um campo com lugar para a semente da razão
Sentes que a inocência tens de esconder
Em campo de batalha, onde a maldade é bala de canhão

Triste, solitário, prossegues peregrino
Por onde teus sonhos sofrem retraídos
Choras sozinho teus sonhos de menino
Choras os Homens de sentimentos perdidos!

Para todos os meninos, em que o colo da vida não oferece apoio...
Mas sobretudo, para um menino, chamado Daniel, que vive em centros de apoio , onde cresce com a certeza que jamais conhecerá as suas raízes e que viverá até ser homem
á mercê da caridade alheia.
Nunca te esquecerei.


Fernanda Rocha Mesquita