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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Meditando


Vou
Pelo caminho que a rua me dá
E o tempo
Que passa sem sentir
Dirigindo o olhar para as pedras
Que revestem o chão
Decorando-o de outras saliências
Alheio a quase tudo

Sigo
Nesse continuar sem destino breve
Interiorizando outro sentires
Uns perfeitos
Outros não
Numa incumbência a descoberto
Dos olhares do Mundo
Sem receios

Vasculho
Memórias arquivadas
Dias remotos da minha vida
E de outras já passadas
Que comigo cruzarem seus percursos
E um suspiro
Alinhava o som do vento que passa
Em transparências de azul

Rastreio
Coerências e seus opostos
Domínios inatingíveis
No desconsolo da mediania
Que rodeia meu ser
Desconfortando o imo
Em sacudidelas peitorais
Ríspidas e repentinas

Negação
Das validades da vida
Dos passos dados a preceito
Em abraços que inundaram
Tantos dias
De felicidade e coesão
Sem limites temporais
E com asas para um futuro

Constato
Que tudo descambou
Em represálias sociais
Sem direito a respostas sadias
E remetido ao único silêncio
Que me amanha
A mente da rejeição
Constantemente

Verifico
Que ao levantar meu olhos
Há muito mais que me rodeia
Num horizonte
Onde o azul abunda
Apesar de tanta tareia
Que a natureza sobre dia-a-dia
Desmesuradamente

Medito
Que ainda há solução
Que ainda há opinião
Que ainda há vento
Que ainda há alimento
Que ainda há céu
Que ainda há mar
Que ainda pode haver amor

Sonho
Que um dia
Ainda possamos viver
Todos
Mas todos
Em Paz
Amor
E felicidade

António MR Martins

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