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sábado, 8 de dezembro de 2012

Palavras à chuva


Por entre a chuva passam palavras
que ficam transparentes
e que espelham tudo o que me envolve.
Ou ficam negras e toscas
ofuscando o que sinto.
Quero pintá-las de branco
da cor da lua e da cal
mas o branco da paleta sumiu.
Pinto-as, então de lágrimas
e, aí, perdem a forma e o cheiro
esquecem-se do sonho
e tornam-se invisíveis
aos olhos pintados de nada
à espera do branco da paleta
da cor da lua e da cal.

Marta Vasil 

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