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domingo, 24 de julho de 2011

Destino


Havia folhas douradas a rasgarem o pensamento, frio desmembrado que cortava o olhar. As mãos sentiam o calor das letras, mas o poema afogara-se no peito, há muito…

Cegos são os que não vêm que as margens nunca se tocam.

Crescem os braços em tom verde entre o fosso do pensamento e o lado direito do cérebro. Já não há mar que me abrace, ou pelo menos que me deixe naufragar e morrer, envolta de ondas prateadas pela lua.

Crescem os céus aguçados na espera do amanhã. Nasce o sol inquieto pela incerteza do calor que já não sorri todos os dias e separa as nuvens, separa as lágrimas e as vontades, como rio que separa os desejos desamparados.

As chamas bailam em redor de uma lenha que geme enquanto escrevo o destino.

As letras são sempre o inicio, o inicio do amor, do drama, da critica de tudo o que possamos imaginar. Sim, imaginar e sonhar. Armas de paz, de guerra ou de sentimentos. Armas poderosas para quem não tem qualquer sentido nos dedos.

Mas por vezes, pensamos que dominamos as palavras, os pensamentos e os sentimentos e escorregamos para dentro do poema, deliciando-nos com o aroma dos sonhos embriagantes.

A vida é curta demais para as lágrimas, a vida é um recado dado à pressa que por vezes não chega.

Cabe-nos a nós escrever o poema ou simplesmente
deixarmo-nos ficar numa prosa sem significado mesmo que tenhamos de lutar contra as marés mais fortes e os ventos mais intensos.

Vanda Paz

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