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sábado, 4 de junho de 2011

Sentires fugazes



Há uma ave que levita seu planar, a espaços incontáveis, corolário da imensidão de tanto incessante voo, na extremidade oposta da serrania até ao infinito vislumbrar. As árvores, inquietas, agitam os ramos das suas quimeras à passagem sorrateira de um moderado fluxo de vento, que quando agreste inferniza sua regular estabilidade. As encostas, descendo as serras de todo o pranto, transmitem a grandiosidade de uma paisagem repetida, carente do afago humano, numa naturalidade que ali já não mora. Apesar de tudo, ainda o horizonte parece dar a entender que nada se alterou naquele espaço. Perante o nó limitador do futuro, que acontece a cada passo seguinte, se ventila o aperto da saudade. No sopé de tanta altura, entre leitos de imprecisão, o rio permanece na sua existência, com águas inovadoras, correndo no preceito estabelecido pela natureza e na sua incumbência estratégica. A vida continua, apesar de tanto silêncio.

António MR Martins


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