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domingo, 31 de agosto de 2008

Derramo amor ...


Não chega dar amor,
derramo amor…

Dou o meu corpo
e a minha alma,
por este mundo,
intolerante e indiferente
que me faz impaciente.

Uso a palavra,
como um grito dorido,
que ecoe pelos céus,
atravesse continentes
e abane os “inteligentes”!

Não descansarei:
pelas novas gerações,
pelo seu futuro!

Que lhes deixamos?
Inveja, cobiça,
ódio …

Minha esperança
empobrece,
mas ganharei forças
e continuo,
continuarei derramando amor,
pelos nossos filhos,
pelos nossos netos …

Acompanhem-me…

José Manuel Brazão

VERDE!


Ela ainda é tão VERDE...não se fala apenas de frutos mas também de pessoas.

Quando estão verdes significa que ainda têm um longo caminho a percorrer.

No entanto, significa também que têm muito potencial!
A cor verde simboliza tudo o que é viril.

Psicodinamicamente falando, o verde é das cores mais harmoniosas e calmantes facilmente introduzidas em qualquer ambiente.

Representa as energias da natureza, a esperança, segurança e satisfação.

Simboliza também uma vida nova, energia e saúde.

Se tivesse que escolher um estilo de música associado ao verde seria o jazz ou o reggae que harmonizam o som com o bem-estar corporal; têm um ritmo calmo e sedutor.

Vera SOL

sábado, 30 de agosto de 2008

Por ti ...


Entrego-me
ao fado da vida.
Às guitarras roucas
de gritar
teu amor...
As cordas
vão-se arrancando
como quem arranca
pedaços de paixão...
soltando-se notas
de palavras
ausentes
que se espalham
pelo chão...
A voz
já não se eleva
à dor
sentida...perdida...
Por ti...
Meu amor...
Tália

Afectos


Onde estão?
Parecem perdidos,
por onde andarão?
Eu tenho os meus
e dou,
dou ao próximo
sem pedir nada.

Por isso os procuro
e não encontro.

Neste desencontro,
paro e penso:
não os mereço?

Com esperança
vejo uma Luz
e agradeço:
são afectos divinos,
os que recebi …

José Manuel Brazão

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Se eu pudesse ...


Se eu pudesse …
vestia o teu corpo
de rosas vermelhas!

Olhava-te,
seduzia-te …
Ao meu redor,
exala do teu corpo,
o perfume de rosas.
Desse corpo
de incontida paixão,
tirei uma a uma,
cada rosa vermelha.

Teu corpo ficou belo,
muito belo …
Sofri,
sofri muito...
perante o meu oásis!

José Manuel Brazão

Rosas vermelhas



Não me ofereças
rosas vermelhas,
não as devo
receber…
Por causa da sua cor,
do amor
que podem trazer…

Não me ofereças
rosas vermelhas,
com o vermelho
da paixão…
Trazem primeiro
a loucura,
logo a seguir
a desilusão…

Não me ofereças
rosas vermelhas,
deixa-me colhê-las
no teu jardim…
Das palavras
que me emprestas,
de uma amizade
que floresce…
De um amor…
Talvez…assim…

Vanda Paz

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Eu queria ser luar


Noites de luar
clamam paixões,
umas sentidas,
outras vividas.
As noites de luar

parecem iluminadas,
intensas,
dramatizadas.

Paixão
é apenas paixão.
Quando acaba o luar,
tudo acaba.

Onde pára a paixão?
À espera de outro luar
para criar ilusões
e desilusões.

Eu queria ser Luar
para inspirar amor,
em vez de paixão …
José Manuel Brazão

Reza, Maria


Suam no trabalho as curvadas bestas
e não são bestas
são homens, Maria!

Corre-se a pontapés os cães na fome dos ossos
e não são cães
são seres humanos, Maria!

Feras matam velhos, mulheres e crianças
e não são feras, são homens
e os velhos, as mulheres e as crianças
São os nossos pais
nossas irmãs e nossos filhos, Maria!

Crias morrem á míngua de pão
vermes na rua estendem a mão a caridade
e nem crias nem vermes são
mas aleijados meninos sem casa, Maria!

Do ódio e da guerra dos homens
das mães e das filhas violadas
das crianças mortas de anemia
e de todos os que apodrecem nos calabouços
cresce no mundo o girassol da esperança

Ah! Maria
põe as mãos e reza.
Pelos homens todos
e negros de toda a parte
Põe as mãos
e reza, Maria!

José Craveirinha

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A noite veste-se de desejo


Na delicadeza
com que a tarde
se despede,
o corpo ganha
a vontade
de se estender
no horizonte.
Fecho os olhos
e embalo-me
no teu sorriso.
Sei que me anseias
nos teus braços.
Sei que vais alterar
o tempo
antecipando o gesto
da tua boca na minha.
Sinto que sou o espaço
que liga o real ao sonho,
que sou o corpo
onde te deitas
e descansas a alma.
Serei o que quiseres,
enquanto matarmos a sede
da mesma fonte.

O sol põe-se,
a noite veste-se de desejo.

Vanda Paz

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Da solidão



Na minha opinião, a solidão é o pior de todos os males. Ao contrário da fome, da sede, da doença que - quando nos atingem, nos forçam a combatê-las - a solidão muitas vezes se mascara com uma aura de virtude e renúncia.
Não é nada disso. Embora seja importante ter momentos só para nós, a vida neste planeta está ligada aos outros. Precisamos nos despir de todos os nossos bloqueios, e sair em busca de amor, carinho, companhia.
Não se envergonhe de agir assim; é a luta mais digna que alguém pode travar.Se envergonhe, isto sim, de não fazer o que seu coração pede.
O resto são conselhos. E preconceitos de quem não tem coragem de lutar.

Paulo Coelho

Folha do pensamento


Na tua mão
uma folha de árvore;
sentas-te à sua sombra.
Acaricias a folha,
fixas o teu olhar,
corres a vida:
sorris, choras.
Com coisas belas
e sonhos perdidos
nessa corrida pela vida.
Olhas para diante
e vês a sombra de alguém,
mas quem?
Daquele
que segue o teu caminho,
que te avisa e aconselha,
daquele
que não te quer sem destino:
onde estou, para onde vou…
A estrada em que estamos,
leva-te à que procuramos:
a estrada da Vida …
Sorris para mim,
beijas a folha e partes …

José Manuel Brazão

domingo, 24 de agosto de 2008

Choro




Nesta noite sombria,
Aqui neste lugar desolado,
Choro de olhos secos, sem vida...
Olho este papel branco,
Faço dele a minha mortalha!...
Lágrimas de sangue saltam
Deste coração solitário...
Ninguém as vê... Ninguém as ouve...
Choro por não ter coragem!...
Choro por aqueles olhos
Puros, sinceros, tão meigos...
Choro por um abraço que não vem,
Por uma palavra que não chega
Por uma voz doce... Que não ouço...
Tudo o que resta é este silencio...
Um silêncio ensurdecedor,
Que vai destruindo a vontade,
A força de viver,
A capacidade de erguer do chão...
E apenas choro...

João Almeida (Jota)

Delírio




Esgravato silêncios na penumbra da minha alma tentado chegar à sombra do meu olhar. Renasço suspiro em suspiro libertando-me de outras mortes, de outras faces. Segredo ao poema a cumplicidade de cada palavra para que não se afogue a mensagem. Soltam-se da palma da minha mão murmúrios de olhos inchados que se dissipam no orvalho de cada manhã.


Penso-te numa folha que se aninhou no meu regaço.

Vanda Paz (texto e imagem)

Saudade é um mal de que se gosta e um bem de que se padece


Saudades! Quem as não tem?

Eu tenho as duas a que dei título.

Gosto de ter saudades de todos os que amo, daqueles que me amam, dos que gostam de mim, dos que me acarinham e que eu procuro corresponder de coração aberto.
Padeço de saudades por aqueles que amo e estão distantes de mim. Alguns, após estarmos juntos, já me deixam nesta situação: com saudades e ansioso pelo próximo encontro.

Por ti, João:
Sinto ambas. Gosto de ter saudades do meu filho, mas como te sinto muito próximo, não padeço tanto!
As minhas saudades por ti são uma cumplicidade com o silêncio e com o Universo!
Quando estou a editar e publicar o Blog és o meu companheiro, porque a flor e a cor que gostas é a rosa amarela. O logo deste Blog é um ramo de rosas amarelas.
Porque és o meu companheiro?
Quando abro o Blog olho logo para as rosas e vejo a tua imagem. Sorrio para ti e as rosas amarelas ficam mais viçosas...
Fica em Paz e com muita Luz

sábado, 23 de agosto de 2008

Filhos do Universo


Nossos filhos
vão partindo,
deixando Luz,
cheiro e amor.
Escolhem o seu caminho:
aqui com oportunidades,
ali com contrariedades.


Mãe e pai resignados,
continuam vigilantes
e expectantes.

Mãe e pai cansados,
continuam a estrada da Vida.

Param e olham;
vêem os seus filhos,
serem filhos do Universo!

José Manuel Brazão

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Entre o perguntar e o agir



Nos anos sessenta John Kennedy, penso que no discurso de tomada de posse como presidente, disse: "não perguntem o que a América pode fazer por vós, mas sim o que podem vocês fazer pela América".
Com pequenitas alterações, esta frase resume uma filosofia que devia ser a de vida para muitas pessoas. Senão para todas. Não perguntem o que os outros podem fazer por vós. Perguntem o que vocês podem fazer por vocês próprios, e pelos outros claro.
Por nós próprios, porque, quando temos algum problema é, de facto, mais fácil, perguntar aos amigos – o que podes fazer para me resolver este problema? Não pode haver atitude mais errada. Os amigos podem ajudar a encontrar soluções (e os verdadeiros amigos, aqueles que se importam, de certeza que as vão procurar sem que lhes peçam) mas não nos podem resolver os problemas. Isso é uma coisa que só nós podemos fazer. Só nós podemos decidir qual o caminho a seguir porque qualquer consequência do que façamos, será para nós. E depois não podemos, nem devemos querer, culpar os amigos por teremos feito aquilo que nos aconselharam (porque os amigos apenas aconselham, nada mais). Falar com os amigos, desabafar traz-nos, muitas vezes, outras formas de ver os problemas. Porque nos fazem perguntas que nós não nos lembramos de fazer antes, porque vêem os problemas doutra forma. Nada melhor que contar com um bom amigo para nos ajudar. Não para solucionar.
Ed. Howe disse "quando o teu amigo atravessar alguma aflição, não o aborreças perguntando-lhe o que podes fazer por ele. Pensa em algo apropriado e fá-lo". Ou seja, o que nós podemos fazer pelos outros. Se desabafam connosco, se nos contam o que se passa, devemos ser ouvintes atentos, tentar ver o outro lado, às vezes fazer o papel de advogado do diabo e defender teses contrárias àquelas em que acreditamos, apenas e só para ajudar a encontrar uma solução (que terá, deverá e só poderá ser aquela que o próprio quiser). Se não sabemos o que se passa, se apenas sabemos, por qualquer razão, que se passa alguma coisa, então a melhor solução é apoiar, fazendo com que o nosso amigo saiba que pode contar connosco quando quiser. Porque a amizade reside nisto. Saber dar e saber receber. Sem exigências. Sem excessos. Sem agradecimentos. Porque a amizade sente-se, não se agradece.
Pedra Filosofal
Foto de Vladimir Joska

Coração de mulher


Todos te olham,
todos te admiram.
Uns pela beleza exterior,
outros pela beleza interior.
Esta é infindável,
pelo encanto que transmites,
pelo amor que partilhas,
sem nada pedir.
Dar, dar e dar,
que te cria desilusões,
angústias.
Mulher ternurenta,
quase desistes,
pelos teus sonhos;
brotas lágrimas
como se fosse noite.
Atrás de cada noite,
virá um novo dia.
Numa dessas manhãs,
terás um sol nascente,
com tanta luz,
que encontrarás o caminho
que tanto procuras.
Caminho muito iluminado,
pelo teu coração,
coração de mulher.

José Manuel Brazão

terça-feira, 19 de agosto de 2008

A minha prioridade é aprender e depois saber!



Esta frase, dita por um jovem, um dia num qualquer telejornal, reflecte aquela que deveria ser a prioridade de todo o ser humano. Primeiro aprender. Depois saber.Desde o dia em que nascemos começamos a aprender… e o processo de aprendizagem termina (ou não, para quem acredita na reencarnação) com a morte. Enquanto estamos vivos estamos sempre a aprender.Há uma história antiga que conta que um ancião, no seu leito de morte, recebeu a visita do seu jovem médico que lhe terá ensinado como deveria respirar nos momentos em que tivesse mais dores. Depois de experimentar e de ter comprovado que assim era, terá respondido que se aprende até morrer.Assim é, de facto.Não podemos ter a veleidade de dizer que sabemos de tudo, que somos perfeitos, que não erramos e que não precisamos de aprender. Quem pensar assim sentir-se-á, com certeza, muito só. Isolado do resto das pessoas. O ser humano é imperfeito, erra, tem dúvidas. Enquanto caminhamos para a nossa (inevitável) morte, estamos a aprender, a corrigir-nos… e estamos acompanhados por outros que se encontram nas mesmas circunstâncias. Quem não partilha este caminho, por se achar superior aos outros, estará só na sua caminhada e chegará ao fim sem conhecer a alegria da aprendizagem e da partilha.Acho que foi Gandhi que disse que “um pai sábio deixa que os filhos cometam erros. É bom que, de quando em quando queimem os dedos”. Sem cometermos erros não vamos, decerto aprender com eles. E, se voltamos a cometer os mesmos erros, então é porque não aprendemos convenientemente da primeira vez.A evolução do ser humano, enquanto espécie, resultou de tentativas, de aprendizagem. A nossa evolução pessoal resulta do mesmo. De tentar, errar e aprender, porque, cada dia que passa traz-nos novos ensinamentos... assim se queira aprender. Aprender e depois saber!


Pedra Filosofal
Foto de Agnieszka Borkowska

Nosso medo



Nosso medo mais profundo
Não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo
É que somos poderosos além de qualquer medida.
É a nossa luz, não as nossas trevas,
O que mais nos apavora.
Nós nos perguntamos:
Quem sou eu para ser Brilhante,
Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?
Na realidade, quem é você para não ser?
Você é filho do Universo.
Se fazer pequeno não ajuda o mundo.
Não há iluminação em se encolher,
Para que os outros não se sintam inseguros
Quando estão perto de você.
Nascemos para manifestar
A glória do Universo que está dentro de nós.
Não está apenas em um de nós: está em todos nós.
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar,
Inconscientemente damos às outras pessoas
Permissão para fazer o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo,
Nossa presença, automaticamente, libera os outros."

Nelson Mandela

Naquela noite …



A noite não tinha formas, o corpo não tinha alma. A boca saboreava o sabor das estrelas enquanto as mãos achavam palavras que se pregavam ao lápis encontrando no papel o seu espelho. Não sei o que me fez ficar, não sei o que me fez esperar por aquele final fatal que alteraria o resto dos meus dias.Sempre fugi das sombras que me abraçavam, sempre fugi de alguém que me sentisse.Mas a alegria das tuas palavras desajeitadas faziam-me sorrir. Os ventos trazem-me agora as palavras de saudade, o calor, a esperança do brilho. A estrada em que caminho não encontra o fim. A água que bebo não sacia a sede de um momento de amor em cama de areia. Já cruzámos silêncios, já devorámos olhares, já nos amámos loucos, já nos esquecemos por tão pouco. Sei que corres nas margens do meu sentir, sei que vens na brisa da noite, nos salpicos de vida que dão cor ao quadro que pinto.O vazio que entorna a embriaguez dos meus dias é copo cheio de alegria ao sentir-te em mim na distância que nos separa. O espaço onde me recolho e te revejo, onde o cheiro é de madeira de carvalho, em cave escura no silêncio do fermentar da bebida que beijo e bebo, como se fosses tu, em goles pequenos entrando no meu corpo e preenchendo-me em baladas, como notas de musica suave e breve, até ao grito do orgasmo destas mãos cheias de palavras em que a coragem falta para as entregar ao teu olhar. Excedo-me selvagem, entrego-me a ti pura, dou-te tudo o que sou. Recebo-te em lençóis de um amor único, encantado pelo cheiro de desejos secretos. Serás sempre o álcool das minhas emoções, que me conserva o gosto pela vida e me faz caminhar nas areias movediças que encontro até de novo poder respirar-te.Naquela noite houve uma sombra que me abraçou e me sentiu pregando o meu sorriso à lua.

Vanda Paz (texto e imagem)

domingo, 17 de agosto de 2008

Acordo Ortográfico – duas nacionalidades, uma opinião





O texto abaixo é da autoria de Pedra Filosofal e de Godi, residentes, respectivamente, em Portugal e no Brasil. Amigos, separados por um oceano, ainda assim partilham das mesmas opiniões acerca dum acordo que tem feito correr bastante tinta em ambos os países.
É nossa firme convicção que não faz sentido algum quererem uniformizar a linguagem. Temos expressões diferentes, nascidas da forma de estar, de histórias diferentes nos dois países.Diferentes circunstâncias marcaram a variação do Português brasileiro e do Português europeu. O Português Europeu, pelo facto de as fronteiras de Portugal serem as mais antigas da Europa, contrariou uma variação mais profunda por fatores exógenos exteriores, a qual foi sobrelevada por ação de fatores internos a própria língua, sendo, por isso, considerado como uma língua quase perfeita, pois manteve-se ocupando uma área estável desde a delimitação das fronteiras lingüísticas e propriamente portuguesas desde o séc. XIII. Somente em raros pontos que a fronteira política não coincide com a fronteira lingüística.Em Portugal o esclavagismo quase que não existiu e a imigração só há pouco tempo é uma realidade. Não teve, por isso, muitas influências externas para a evolução da língua. O português europeu evoluiu “sozinho”.Já no Brasil o português foi determinado por fatores multifacetados e, por isso mesmo, houve uma diferenciação natural. O português brasileiro teve um contato significativo de fatores exógenos: Com línguas indígenas, com línguas africanas e com línguas de imigrantes de diversas partes do mundo. No Brasil a escravatura foi uma (triste) realidade. E por mais que os senhores quisessem evitar, alguma coisa foi ficando da rica linguagem dos escravos, em forma de substrato linguistico (herança lexical e morfossintática no português brasileiro). Acresce ainda que o Brasil foi colonizado por tantos emigrantes que é quase impossível saber qual a língua que teve mais influência (para além do português).A língua portuguesa do Brasil, variante nacional do Português europeu (de Portugal) tomou um rumo simplesmente 'diferente' com perdas casuais de funções latinas, com influência de línguas indígenas e africanas, ou seja, a comunidade brasileira que é maior que a portuguesa por ser maior mesmo já é um fator de iferenciação.
Uma das razões do acordo é que a ortografia seja uniforme. Mas se ortografia fosse impedimento, Miguel Sousa Tavares e José Saramago não seriam tão bem vendidos no Brasil como, de fato, o são. Sabe-se que os dois autores preferem que a obra seja divulgada com a ortografia do português europeu (Portugal). Em Portugal passa-se o mesmo com Jorge Amado e Paulo Coelho que editam em português brasileiro.A língua está viva e muda de acordo com a utilização que dela se faz, não porque alguém, em algum momento, assim o decidiu na "marra". Ao longo dos anos a língua portuguesa, quer em Portugal, quer no Brasil, quer noutros países de língua oficial portuguesa, tem alterado por força do convívio natural entre as pessoas. Cremos que um dia, sem legislação, o português será ainda mais semelhante, mas apenas e só por força das circunstâncias. E que circunstâncias? É simples, há, cada vez mais, brasileiros a trabalhar em Portugal e portugueses a passar férias no Brasil. A globalização, o avanço das telecomunicações e mídia (média) serão também factores determinantes na aproximação da língua falada e, posteriormente, da língua escrita.Todas as decisões onde se modifica o código escrito são sempre controversas e causam traumas. Legislar em cima da língua é algo que, normalmente, não funciona, por haver diferentes formações neológicas de palavras a cada uma das variantes que constituem a lingua portuguesa.No Brasil, incrivelmente a lingua portuguesa é bastante uniforme na sua variação diatópica (variação regional) no que condiz a nomeação de conceitos novos (formação de palavras novas e designações). Existe o entendimento recíproco, apesar de haver diferenças sempre de acordo com os diversos critérios sócio-históricos que levaram a tal.A influência norte-americana é muito grande no Brasil. Em Portugal também se nota, nos últimos anos, um acréscimo nos estrangeirismos, introduzidos pelas novas tecnologias. Consideramos, no entanto, estes empréstimos linguísticos-estrangeirismos como normais, pois que estes atingem apenas o léxico, não havendo hipóteses para a desestruturação da língua em si.As línguas sempre criam termos novos, os chamados neologismos. Esses termos, vindos sempre dos acervos latinos e/ou de empréstimos, nominam novos termos. Então, quanto muito, deveria-se ter uma comissão conjunta entre os dois paises para verter uniformemente os termos em estrangeiro, comumente trazidos pela tecnologia. Por exemplo, uma arca frigorífica em Portugal, é freezer no Brasil.No entanto essa uniformização seria gradual e apenas para termos técnicos. A uniformização de expressões seria quase impossível. A título de exemplo, no Brasil “veado” é homossexual quando em Portugal é um animal que podemos ver no Zoo. “Galinha” em Portugal é uma mulher tagarela. No Brasil é uma prostituta. E o mesmo problema se põe a nível regional. Por exemplo “batata” em Portugal Continental é uma batata, na Ilha da Madeira são “semilhas”. No Porto bebe-se um cimbalino, em Lisboa um café.Qual é o acordo que pode levar a que deixem de acontecer estas diferentes interpretações da mesma frase?A riqueza da língua portuguesa, seja ela brasileira ou europeia, está na diversidade, a unanimidade é tola e estranha.

A beleza


Chegas!
Todos te olham,
todos te admiram.
Olho e fixo a tua imagem,
vejo a sala com mais luz.
Olhas e vês que te olho;
ficas tímida e todos riem.
Havia empatia,
sem sabermos a que se devia.

Hoje sabemos!
Eram as energias em sintonia.
Ias embora e a sala perdia luz.

Amavas!
Farta de amor solitário,
procurando na liberdade,
a felicidade,
partiste, abruptamente,
para esse mundo mais feliz!

Senti dor, muita dor.
Tinha perdido a tua beleza,
o teu aroma especial,
perfume natural:
essência de rosas.
As minhas palavras
ficam molhadas,
das lágrimas que me correm;
lágrimas de alegria
pela tua felicidade
e pela tua serenidade.
Fecho os olhos:
vejo-te vestida de rosas,
não importa a cor.
São rosas!
Abro os olhos
e parece que sonho:
vejo o meu poema
coberto de rosas;
de amor por ti,
eternamente …

José Manuel Brazão

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A ti Manuela Fonseca


Foi no 1º dia de um Dezembro, distante,
Que cheguei à parede da tua alma.
O mar estava presente
E eu sentei-me no parapeito da janela.
As lágrimas soltam-se
Na ausência da minha esperança,
Num coração por vencer
Inventei um sorriso para me disfarçar…
Sempre o sorriso!
Nesta loucura
Foste...
A minha nostalgia de amor,
O palácio dos meus néctares.
Fui ao centro do planeta
Onde os olhares se dividiam,
E esse olhar me mentia…
Não me mates só por matar!
Tens o dom do mal…
Não me lembro
Do medo que me atormenta.
Incógnita,
Amaldiçoei-me a mim mesma.
Tudo é igual a mim…
Vou-me embora!
Andava secreta,
Cheia de felicidade.
O Amor rende-se..
E agora, ó Poetas, que vos deixo de mim?
Pedra Filosofal
Poema dedicado à Manuela Fonseca,
feito por mim com os títulos dos poemas dela.
Foto de Paolo De Faveri

Amor calado ( Vida )


Vivo no silêncio,
a chama deste amor,
amor calado!
Vivo este amor,
com o coração
cheio de paixão.
de angústia,
de sonhos.
Como um pássaro,
voo alto,
não sabendo
até onde vai
este amor,
amor calado!
Desço à Terra,
paro e penso
neste amor intenso:
vejo-a vestida de amor,
linda e elegante,
sorrindo,
por este amor calado,
cheio de palavras,
de gestos e afectos …
José Manuel Brazão

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Da estrela


Márcia Piazzi nos lembra a história de um escritor que morava numa bela praia, junto a uma colónia de pescadores. Num dos seus passeios matinais, ele viu um jovem jogando de volta no oceano as estrelas do mar que estavam na areia.
“Por que você faz isto?”, perguntou o escritor.
“Porque a maré está baixa, e elas vão morrer”.
“Meu jovem, existem milhares de quilómetros de praia por este mundo, e centenas de milhares de estrelas do mar espalhadas pela areia. Que diferença você pode fazer?”
O jovem pegou mais uma estrela e atirou no oceano. Depois virou-se para o escritor: “para esta, eu fiz uma grande diferença”, respondeu.
A partir daquele dia, todas as manhãs o escritor passou a ajudar o jovem.

Paulo Coelho

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Eu



Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! ...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Saudades de ti


De facto é uma loucura - em sentido figurado - ler cada poema ou prosa que escreves.Leio tanto texto devido às actividades que preenchem as horas em que outros dormem ou bocejam em frente do televisor e encontro e "cheiro" nos teus textos: melodia, paixão, amor, sonho ...Tudo se conjuga e confirma para os meus comentários e vaticínios - de sempre - estarem correctos.
Honra-me ser teu Amigo.
José Manuel Brazão
" Saudades de ti "

O meu olhar traz a cinza da saudade
que voa pelo sopro do tempo.

Já não te posso esquecer,
nem tão pouco posso te ter.

Resta-me a recordação dos duetos que fizemos.

De quando fomos um
em poema declamado nos corpos suados
que se amaram em segredo na bravura do silêncio.

Resta-me a esperança de te voltar a encontrar.

Entregar-te o meu corpo de mulher,
o amor que te tenho,
para que em mim escrevas o teu desejo de me amar.

E que novamente, em silêncio, declamemos loucura.
Vanda Paz ( Texto e imagem )

Pais & Filhos




Esta jovem escritora que conheci "na barriga Mãe" tem uma maturidade peculiar e vertiginosa.

Li textos de há dois anos (incluindo um poema que me dedicou) que não se comparam com os que ultimamente tenho publicado e fico contente por a ter motivado a escrever, a escrever!
O texto e hoje é duma qualidade que qualquer pai, mãe ou filho(a) se reveêm nele.

José Manuel Brazão


" Pais & Filhos "

Diz o primeiro ditado que Filho de peixe sabe nadar. Sabemos que não é necessariamente verdade. Nem sempre funciona é certo, mas temos muitos casos em que se pode verificar esta condição. Nas mais variadas profissões, há filhos que decidem seguir as pisadas dos mais, tendo por vezes tanto êxito ou mais do que os pais. Na música temos a Maria Rita por exemplo, no cinema o Michael Douglas que se tornou bem mais conhecido que o pai, ou a Angelina Jolie que também conta com mais êxitos de bilheteira que o pai. No futebol Português temos o Tiago Pinto, que ainda não se sabe muito bem.O segundo ditado diz que quem sai aos seus não degenera. É verdade, se saímos aos nossos pais fica em família, fantástico! O que geralmente acontece é que os pais, só admitem que os filhos saem a si relativamente às qualidades positivas. “Ai, ele é tão inteligente. Sai mesmo à mãe”, “Estes olhos azuis são iguais aos do pai”, mas quando se fala do mau feitio ou da ruindade…aí é que a “porca torce o rabo”. A frase mais banal: “Não sei a quem é que ela sai com este mau feitio?!” Será que não sabem mesmo? Bom, a alguém tem que sair. Os pais que aproveitem para se olhar ao espelho (da alma) e fazer uma introspecção. Pode ser que no caminho encontrem algumas surpresas, quem sabe?O terceiro ditado que quero aproveitar para salientar é que Amor de pais não há jamais. Podemos conhecer muitas pessoas, ter amigos de infância, um parceiro fantástico…mas ninguém, ninguém irá gostar de nós como aqueles que nos educaram e viram crescer. Sim, aqui os pais não são necessariamente os dadores de esperma e dos óvulos. Os pais são os que rebolaram connosco na relva, andaram connosco às cavalitas, e fizeram castelos na areia. São os lutadores que acompanharam a nossa evolução enquanto seres humanos, que nos ensinaram o certo e o errado, que sofreram com as nossas tristezas e nos encorajaram para continuar quando pensámos que já não tínhamos mais forças. Os pais são aqueles que nos defendem de tudo e de todos incondicionalmente. São aqueles que nos brindam com as suas experiências, mas que mesmo assim nos encorajam a avançar em direcção do desconhecido se for essa a nossa vontade. São os que sonham com o nosso sucesso sem uma ponta de inveja! Mais ninguém neste mundo tem a capacidade de sentir este tipo de amor…incondicional!

Vera SOL ( texto e imagem )

domingo, 10 de agosto de 2008

Enquanto estiver vivo ...


"Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo.
Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo.
Não viva de fotografias amareladas...
Continue, quando todos esperam que desistas.
Não deixe que enferruje o ferro que existe em você.
Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você.
Quando não conseguir correr através dos anos, trote.
Quando não conseguir trotar, caminhe.
Quando não conseguir caminhar, use uma bengala.

Mas nunca se detenha."

Madre Teresa de Calcutá

A natureza no seu melhor!




Título e imagem de Vera SOL











sábado, 9 de agosto de 2008

Conhecidos, amigalhaços e Amigos


Olá, tudo bem?

Tudo, e contigo?

Está tudo bem, obrigado!


Mesmo que não esteja tudo bem, dizemos que está! Esta é a saudação habitual daqueles designados de conhecidos, porque na realidade não passam mesmo disso. Aproveito para frisar que a importância do nome e do tipo de relacionamento não estão de forma alguma relacionados com a frequência com que se encontram. Os conhecidos sabem algumas coisas sobre nós, mas não as suficientes.O amigalhaço é aquele estarola a quem ligamos sempre que queremos ir para a borga ou para a rambóia. É uma excelente companhia para esses momentos e por norma conhece muitas outras pessoas efusivas com quem se encontra na noite ou nos tradicionais festivais alentejanos e afins. Na realidade o amigalhaço não sabe nada sobre nós, sobre as nossas dores e alegrias, provavelmente nem o último nome sabe e definitivamente não é a pessoa a quem queremos ligar quando alguma coisa corre mal.Os amigos...são os amigos. Como dizia o Freddy "Friends will be friends"! Esta espécie rara é para sempre, para os bons e para os maus momentos, convive com as nossas qualidades e defeitos. É a quem ligamos quando estamos felizes, a quem mandamos mensagens quando nos encontramos "down", com quem gritamos quando estamos irritados. Os amigos são quase tudo! Ao longo dos anos todos temos algumas decepções com pessoas que considerávamos nossas amigas, ou surpresas agradáveis por vermos uma mão amiga de uma pessoa que nem reparámos estar lá. Vale a pena "investir" na amizade. Digo investir, porque temos mesmo que trabalhar nela. A amizade é uma relação em que se deve dar e receber, se possível proporcionalmente.Neste campo, a qualidade ultrapassa heróicamente a quantidade...mais vale um ou dois bons amigos que uma centena de conhecidos.

Vera SOL ( Fera )

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Martin Luther King Jr.


Hoje a minha sensibilidade obriga-me a usar uma excepção quanto à lusofonia. Leio muitos textos de humanistas. Sempre admirei: Mahatma Ghandi, Luther King, Madre Teresa, Nelson Mandela , João Paulo II e tantos outros. Tenho os meus arquivos e fui buscar esta belíssima intervenção de Martin Luther King Jr.
José Manuel Brazão

" Sem título, mas com rosto"

Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.
A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência,mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio.
Sonho com o dia em que a justiça correrá como a água e a rectidão, como um caudaloso rio.
Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vivam em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu carácter.
Nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos.
É melhor tentar e falhar que ocupar-se em ver a vida passar.
É melhor tentar, ainda que em vão, que nada fazer.
Eu prefiro caminhar na chuva, em dias tristes, me esconder em casa.
Prefiro ser feliz, embora louco,a viver em conformidade.
Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização.
Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços,eu ainda plantaria a minha macieira.
O ódio paralisa a vida; o amor a desata.
O ódio confunde a vida; o amor a harmoniza.
O ódio escurece a vida; o amor a ilumina.
O amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo.
O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício.
Nossa eterna mensagem de esperança é que a aurora chegará.
Martin Luther King Jr.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Ilha


Quem acompanha este Blog sabe que o meu objectivo é apresentar autores lusófonos. É uma porta aberta para autores consagrados e novos autores. Estes últimos - para além dos seus méritos - precisam de motivação com a divulgação dos trabalhos: partilhando-os!

Já apresentei escritores basileiros e portugueses. Um blog desta natureza exige muita pesquisa, análise dos textos, procura de imagens adequadas e por último a edição para o blog.

Para mim não é prioritário apresentar os meus trabalhos. Fui e irei publicando a pouco e pouco...

Serve este comentário para apresentar o primeiro poeta africano com grande nivel intelectual : Agostinho Neto.
José Manuel Brazão

" Ilha "

Tu vives -mãe adormecida -
nua e esquecida,
seca,
fustigada pelos ventos,
ao som de músicas sem música
das águas que nos prendem…

Ilha:
teus montes e teus vales
não sentiram passar os tempos
e ficaram no mundo dos teus sonhos
- os sonhos dos teus filhos -
a clamar aos ventos que passam,
e às aves que voam, livres,
as tuas ânsias!

Ilha:
colina sem fim de terra vermelha
- terra dura -
rochas escarpadas tapando os horizontes,
mas aos quatro ventos prendendo as nossas ânsias!
Agostinho Neto

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Sonhos de crianças


A minha amiga Vanda Paz -em parceria - criou
no tempo certo um blog :
Acredito e desejo felicidades e muito sucesso para esta iniciativa.
José Manuel Brazão

SONHOS DE CRIANÇAS
Sonhos de Criança... um projecto que nasceu da vontade da Vanda Paz/Tália e da Pedra Filosofal de darem a conhecer os sonhos reais de crianças reais
.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Grito de liberdade




Muitos de nós necessitamos dum grito de liberdade e de esperança!
José Manuel Brazão

" Grito de liberdade "

Refresco-me com o bater das asas de uma borboleta, entorno o meu sorriso à beira do rio e fico a ver, alegre, ele a partir no teu peito de água límpida e fresca. Deixo que o céu me cubra de beijos azuis e estendo o cansaço do meu corpo naquelas pedras planas onde recebo os braços do sol que me embalam, que me adormecem da vida por detrás dos pensamentos. Tudo é tão calmo visto daqui, cheiro o perfume das flores e oiço os animais que rastejam perto de mim, a natureza em harmonia...Os meus olhos tocam a águia que plana sobre mim, sei que me espera inquieta, sei que receia que eu não volte. Entreguei-lhe as minhas asas, algo que nunca fiz… sinto-me agora despida da liberdade, mas serena.O grito dela é de ansiedade, sei que precisa partir. A terra puxa-me para si, o corpo vai ficando dormente com aquela quebra de alma. Os olhos vão – se fechando. O sorriso já deve ter chegado ao seu destino com o correr do rio, está entregue.A águia aquieta-se e numa derradeira tentativa pousa perto de mim, olha-me. Nos seus olhos, vejo o mar revolto, que me chama para si, que apela ao meu instinto que volte, vejo o meu sorriso, mas é a mim que ele quer, inteligente, sincera, irreverente, persistente, agarrada ao que acredito, vejo-lhe uma lágrima…Renasço, entrego-me em alma ao corpo da águia e plano até ao mar que me abraça.
Este é o meu grito de liberdade e de esperança pela vida que me espera.

Vanda Paz ( Texto e imagem )

O texto da mulher


Gabriela Mello Barbosa, nascida em 29-11-1981, é estudante de Comunicaçăo Social na Universidade Federal Fluminense. Diz năo ter "nenhum trabalho, ou melhor, paixăo, publicada".

O texto da mulher tem perfume que às vezes se sente só pelo título. Tem todo o jeito de quem anda por andar, sinceramente sem querer chegar a lugar nenhum. O texto da mulher dá para ver que demorou muito tempo pra ficar pronto, e ainda năo está. Dá para ver que uma mulher escreve para outra — para outra completar. O texto da mulher tem um silęncio gostoso de se ouvir e pronto para ser quebrado. Tem natureza própria: vento que sopra a cara e provoca os cabelos; lua que, nua, se banha no mar — festa nos navios negreiros...! O texto da mulher dá orgulho: a gente fica lendo, boba, descobrindo um monte de coisas que já sabia e que só precisava lembrar. O texto da mulher fecha os olhos quando faz carinho, como se fosse ele o acarinhado... todo texto de mulher tem um filho no presente e um amante no passado. O texto da mulher faz arte: colore o que passa em branco na vida e pára o que passa rápido demais — pőe o pé na frente e zás! Segue soberba, sabe que năo adianta olhar — năo para trás. O texto da mulher parece sempre que foi a gente que escreveu —- será uma concentraçăo de saudades e esperanças comuns, ou alguém me esmiuçou sem eu deixar? O texto da mulher treme, grita, chora e comemora em uma só língua; e faz a gente pensar que somos, todas, fragmentos de uma mesma criatura com dois lindos seios e um santo ventre, que caiu, quebrou e nos espalhou um dia. O texto da mulher vale a pena a qualquer hora: de manhă, de tarde, de noite... Esteja a solidăo aqui, ou batendo na porta, do lado de fora.

Gabriela Mello Barbosa
(Texto e Imagem)

domingo, 3 de agosto de 2008

Fizeram os dias assim


Por mais que larguem os braços
Por mais que soltem amarras
E que se tapem as covas

Por mais que rasguem os quadros
Por mais que queimem as leis
E que os costumes esmoreçam

Por mais que arrasem as feras
E que os papőes arrefeçam
E que as bruxas se convertam

Por mais que riam as caras
E que ternura se esqueça
Por mais que o amor prevaleça

Vocês
Fizeram os dias assim!

Năo nos venham pedir contas
Năo venham pôr-nos regras
Sabemos que os nossos dias
Năo văo ser gastos assim!
Luis Represas