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terça-feira, 19 de agosto de 2008

A minha prioridade é aprender e depois saber!



Esta frase, dita por um jovem, um dia num qualquer telejornal, reflecte aquela que deveria ser a prioridade de todo o ser humano. Primeiro aprender. Depois saber.Desde o dia em que nascemos começamos a aprender… e o processo de aprendizagem termina (ou não, para quem acredita na reencarnação) com a morte. Enquanto estamos vivos estamos sempre a aprender.Há uma história antiga que conta que um ancião, no seu leito de morte, recebeu a visita do seu jovem médico que lhe terá ensinado como deveria respirar nos momentos em que tivesse mais dores. Depois de experimentar e de ter comprovado que assim era, terá respondido que se aprende até morrer.Assim é, de facto.Não podemos ter a veleidade de dizer que sabemos de tudo, que somos perfeitos, que não erramos e que não precisamos de aprender. Quem pensar assim sentir-se-á, com certeza, muito só. Isolado do resto das pessoas. O ser humano é imperfeito, erra, tem dúvidas. Enquanto caminhamos para a nossa (inevitável) morte, estamos a aprender, a corrigir-nos… e estamos acompanhados por outros que se encontram nas mesmas circunstâncias. Quem não partilha este caminho, por se achar superior aos outros, estará só na sua caminhada e chegará ao fim sem conhecer a alegria da aprendizagem e da partilha.Acho que foi Gandhi que disse que “um pai sábio deixa que os filhos cometam erros. É bom que, de quando em quando queimem os dedos”. Sem cometermos erros não vamos, decerto aprender com eles. E, se voltamos a cometer os mesmos erros, então é porque não aprendemos convenientemente da primeira vez.A evolução do ser humano, enquanto espécie, resultou de tentativas, de aprendizagem. A nossa evolução pessoal resulta do mesmo. De tentar, errar e aprender, porque, cada dia que passa traz-nos novos ensinamentos... assim se queira aprender. Aprender e depois saber!


Pedra Filosofal
Foto de Agnieszka Borkowska

Nosso medo



Nosso medo mais profundo
Não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo
É que somos poderosos além de qualquer medida.
É a nossa luz, não as nossas trevas,
O que mais nos apavora.
Nós nos perguntamos:
Quem sou eu para ser Brilhante,
Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?
Na realidade, quem é você para não ser?
Você é filho do Universo.
Se fazer pequeno não ajuda o mundo.
Não há iluminação em se encolher,
Para que os outros não se sintam inseguros
Quando estão perto de você.
Nascemos para manifestar
A glória do Universo que está dentro de nós.
Não está apenas em um de nós: está em todos nós.
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar,
Inconscientemente damos às outras pessoas
Permissão para fazer o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo,
Nossa presença, automaticamente, libera os outros."

Nelson Mandela

Naquela noite …



A noite não tinha formas, o corpo não tinha alma. A boca saboreava o sabor das estrelas enquanto as mãos achavam palavras que se pregavam ao lápis encontrando no papel o seu espelho. Não sei o que me fez ficar, não sei o que me fez esperar por aquele final fatal que alteraria o resto dos meus dias.Sempre fugi das sombras que me abraçavam, sempre fugi de alguém que me sentisse.Mas a alegria das tuas palavras desajeitadas faziam-me sorrir. Os ventos trazem-me agora as palavras de saudade, o calor, a esperança do brilho. A estrada em que caminho não encontra o fim. A água que bebo não sacia a sede de um momento de amor em cama de areia. Já cruzámos silêncios, já devorámos olhares, já nos amámos loucos, já nos esquecemos por tão pouco. Sei que corres nas margens do meu sentir, sei que vens na brisa da noite, nos salpicos de vida que dão cor ao quadro que pinto.O vazio que entorna a embriaguez dos meus dias é copo cheio de alegria ao sentir-te em mim na distância que nos separa. O espaço onde me recolho e te revejo, onde o cheiro é de madeira de carvalho, em cave escura no silêncio do fermentar da bebida que beijo e bebo, como se fosses tu, em goles pequenos entrando no meu corpo e preenchendo-me em baladas, como notas de musica suave e breve, até ao grito do orgasmo destas mãos cheias de palavras em que a coragem falta para as entregar ao teu olhar. Excedo-me selvagem, entrego-me a ti pura, dou-te tudo o que sou. Recebo-te em lençóis de um amor único, encantado pelo cheiro de desejos secretos. Serás sempre o álcool das minhas emoções, que me conserva o gosto pela vida e me faz caminhar nas areias movediças que encontro até de novo poder respirar-te.Naquela noite houve uma sombra que me abraçou e me sentiu pregando o meu sorriso à lua.

Vanda Paz (texto e imagem)

domingo, 17 de agosto de 2008

Acordo Ortográfico – duas nacionalidades, uma opinião





O texto abaixo é da autoria de Pedra Filosofal e de Godi, residentes, respectivamente, em Portugal e no Brasil. Amigos, separados por um oceano, ainda assim partilham das mesmas opiniões acerca dum acordo que tem feito correr bastante tinta em ambos os países.
É nossa firme convicção que não faz sentido algum quererem uniformizar a linguagem. Temos expressões diferentes, nascidas da forma de estar, de histórias diferentes nos dois países.Diferentes circunstâncias marcaram a variação do Português brasileiro e do Português europeu. O Português Europeu, pelo facto de as fronteiras de Portugal serem as mais antigas da Europa, contrariou uma variação mais profunda por fatores exógenos exteriores, a qual foi sobrelevada por ação de fatores internos a própria língua, sendo, por isso, considerado como uma língua quase perfeita, pois manteve-se ocupando uma área estável desde a delimitação das fronteiras lingüísticas e propriamente portuguesas desde o séc. XIII. Somente em raros pontos que a fronteira política não coincide com a fronteira lingüística.Em Portugal o esclavagismo quase que não existiu e a imigração só há pouco tempo é uma realidade. Não teve, por isso, muitas influências externas para a evolução da língua. O português europeu evoluiu “sozinho”.Já no Brasil o português foi determinado por fatores multifacetados e, por isso mesmo, houve uma diferenciação natural. O português brasileiro teve um contato significativo de fatores exógenos: Com línguas indígenas, com línguas africanas e com línguas de imigrantes de diversas partes do mundo. No Brasil a escravatura foi uma (triste) realidade. E por mais que os senhores quisessem evitar, alguma coisa foi ficando da rica linguagem dos escravos, em forma de substrato linguistico (herança lexical e morfossintática no português brasileiro). Acresce ainda que o Brasil foi colonizado por tantos emigrantes que é quase impossível saber qual a língua que teve mais influência (para além do português).A língua portuguesa do Brasil, variante nacional do Português europeu (de Portugal) tomou um rumo simplesmente 'diferente' com perdas casuais de funções latinas, com influência de línguas indígenas e africanas, ou seja, a comunidade brasileira que é maior que a portuguesa por ser maior mesmo já é um fator de iferenciação.
Uma das razões do acordo é que a ortografia seja uniforme. Mas se ortografia fosse impedimento, Miguel Sousa Tavares e José Saramago não seriam tão bem vendidos no Brasil como, de fato, o são. Sabe-se que os dois autores preferem que a obra seja divulgada com a ortografia do português europeu (Portugal). Em Portugal passa-se o mesmo com Jorge Amado e Paulo Coelho que editam em português brasileiro.A língua está viva e muda de acordo com a utilização que dela se faz, não porque alguém, em algum momento, assim o decidiu na "marra". Ao longo dos anos a língua portuguesa, quer em Portugal, quer no Brasil, quer noutros países de língua oficial portuguesa, tem alterado por força do convívio natural entre as pessoas. Cremos que um dia, sem legislação, o português será ainda mais semelhante, mas apenas e só por força das circunstâncias. E que circunstâncias? É simples, há, cada vez mais, brasileiros a trabalhar em Portugal e portugueses a passar férias no Brasil. A globalização, o avanço das telecomunicações e mídia (média) serão também factores determinantes na aproximação da língua falada e, posteriormente, da língua escrita.Todas as decisões onde se modifica o código escrito são sempre controversas e causam traumas. Legislar em cima da língua é algo que, normalmente, não funciona, por haver diferentes formações neológicas de palavras a cada uma das variantes que constituem a lingua portuguesa.No Brasil, incrivelmente a lingua portuguesa é bastante uniforme na sua variação diatópica (variação regional) no que condiz a nomeação de conceitos novos (formação de palavras novas e designações). Existe o entendimento recíproco, apesar de haver diferenças sempre de acordo com os diversos critérios sócio-históricos que levaram a tal.A influência norte-americana é muito grande no Brasil. Em Portugal também se nota, nos últimos anos, um acréscimo nos estrangeirismos, introduzidos pelas novas tecnologias. Consideramos, no entanto, estes empréstimos linguísticos-estrangeirismos como normais, pois que estes atingem apenas o léxico, não havendo hipóteses para a desestruturação da língua em si.As línguas sempre criam termos novos, os chamados neologismos. Esses termos, vindos sempre dos acervos latinos e/ou de empréstimos, nominam novos termos. Então, quanto muito, deveria-se ter uma comissão conjunta entre os dois paises para verter uniformemente os termos em estrangeiro, comumente trazidos pela tecnologia. Por exemplo, uma arca frigorífica em Portugal, é freezer no Brasil.No entanto essa uniformização seria gradual e apenas para termos técnicos. A uniformização de expressões seria quase impossível. A título de exemplo, no Brasil “veado” é homossexual quando em Portugal é um animal que podemos ver no Zoo. “Galinha” em Portugal é uma mulher tagarela. No Brasil é uma prostituta. E o mesmo problema se põe a nível regional. Por exemplo “batata” em Portugal Continental é uma batata, na Ilha da Madeira são “semilhas”. No Porto bebe-se um cimbalino, em Lisboa um café.Qual é o acordo que pode levar a que deixem de acontecer estas diferentes interpretações da mesma frase?A riqueza da língua portuguesa, seja ela brasileira ou europeia, está na diversidade, a unanimidade é tola e estranha.

A beleza


Chegas!
Todos te olham,
todos te admiram.
Olho e fixo a tua imagem,
vejo a sala com mais luz.
Olhas e vês que te olho;
ficas tímida e todos riem.
Havia empatia,
sem sabermos a que se devia.

Hoje sabemos!
Eram as energias em sintonia.
Ias embora e a sala perdia luz.

Amavas!
Farta de amor solitário,
procurando na liberdade,
a felicidade,
partiste, abruptamente,
para esse mundo mais feliz!

Senti dor, muita dor.
Tinha perdido a tua beleza,
o teu aroma especial,
perfume natural:
essência de rosas.
As minhas palavras
ficam molhadas,
das lágrimas que me correm;
lágrimas de alegria
pela tua felicidade
e pela tua serenidade.
Fecho os olhos:
vejo-te vestida de rosas,
não importa a cor.
São rosas!
Abro os olhos
e parece que sonho:
vejo o meu poema
coberto de rosas;
de amor por ti,
eternamente …

José Manuel Brazão

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A ti Manuela Fonseca


Foi no 1º dia de um Dezembro, distante,
Que cheguei à parede da tua alma.
O mar estava presente
E eu sentei-me no parapeito da janela.
As lágrimas soltam-se
Na ausência da minha esperança,
Num coração por vencer
Inventei um sorriso para me disfarçar…
Sempre o sorriso!
Nesta loucura
Foste...
A minha nostalgia de amor,
O palácio dos meus néctares.
Fui ao centro do planeta
Onde os olhares se dividiam,
E esse olhar me mentia…
Não me mates só por matar!
Tens o dom do mal…
Não me lembro
Do medo que me atormenta.
Incógnita,
Amaldiçoei-me a mim mesma.
Tudo é igual a mim…
Vou-me embora!
Andava secreta,
Cheia de felicidade.
O Amor rende-se..
E agora, ó Poetas, que vos deixo de mim?
Pedra Filosofal
Poema dedicado à Manuela Fonseca,
feito por mim com os títulos dos poemas dela.
Foto de Paolo De Faveri

Amor calado ( Vida )


Vivo no silêncio,
a chama deste amor,
amor calado!
Vivo este amor,
com o coração
cheio de paixão.
de angústia,
de sonhos.
Como um pássaro,
voo alto,
não sabendo
até onde vai
este amor,
amor calado!
Desço à Terra,
paro e penso
neste amor intenso:
vejo-a vestida de amor,
linda e elegante,
sorrindo,
por este amor calado,
cheio de palavras,
de gestos e afectos …
José Manuel Brazão

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Da estrela


Márcia Piazzi nos lembra a história de um escritor que morava numa bela praia, junto a uma colónia de pescadores. Num dos seus passeios matinais, ele viu um jovem jogando de volta no oceano as estrelas do mar que estavam na areia.
“Por que você faz isto?”, perguntou o escritor.
“Porque a maré está baixa, e elas vão morrer”.
“Meu jovem, existem milhares de quilómetros de praia por este mundo, e centenas de milhares de estrelas do mar espalhadas pela areia. Que diferença você pode fazer?”
O jovem pegou mais uma estrela e atirou no oceano. Depois virou-se para o escritor: “para esta, eu fiz uma grande diferença”, respondeu.
A partir daquele dia, todas as manhãs o escritor passou a ajudar o jovem.

Paulo Coelho

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Eu



Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! ...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Saudades de ti


De facto é uma loucura - em sentido figurado - ler cada poema ou prosa que escreves.Leio tanto texto devido às actividades que preenchem as horas em que outros dormem ou bocejam em frente do televisor e encontro e "cheiro" nos teus textos: melodia, paixão, amor, sonho ...Tudo se conjuga e confirma para os meus comentários e vaticínios - de sempre - estarem correctos.
Honra-me ser teu Amigo.
José Manuel Brazão
" Saudades de ti "

O meu olhar traz a cinza da saudade
que voa pelo sopro do tempo.

Já não te posso esquecer,
nem tão pouco posso te ter.

Resta-me a recordação dos duetos que fizemos.

De quando fomos um
em poema declamado nos corpos suados
que se amaram em segredo na bravura do silêncio.

Resta-me a esperança de te voltar a encontrar.

Entregar-te o meu corpo de mulher,
o amor que te tenho,
para que em mim escrevas o teu desejo de me amar.

E que novamente, em silêncio, declamemos loucura.
Vanda Paz ( Texto e imagem )