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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Palavras


Palavras em preto
na planície do branco desguarnecido,
lapidadas com discos de cristal
sorvidas com a força da espera.
Foram nascente de fonte
em correria contra o tempo.
Foram sal num manjar oriental
numa rota de especiarias.
Foram ramo de papoilas e trigo
em mão de noiva perfumando o altar.
Foram taça de cerejas de vermelho a abrasar
na vitrina expoente de um pomar.
Foram desfilando agitadas
nas rugas desenhadas pelo tempo.
Pararam.
Abrigaram-se num retiro de intimidades
aninhando-se em sossego.

Marta Vasil

Madrugada


De uma madrugada
sem eira nem beira
nasceu uma manhã
aniquilada .

Seu corpo
coberto de nada
deitou-se
(no que pensou
ser o seu mundo)
agarrando-se
à vida que a evitava.

Agora,
desdobrada na dor
que a acompanha,
morre devagar
como quase nada,
aquela manhã,
quase abortada,
que nasceu do cio
da madrugada.

Vanda Paz

terça-feira, 30 de junho de 2009

A linda rosa do nosso amor


O que há entre nós além de um imenso amor
Representado neste simples poema
Por uma linda e delicada rosa vermelha.

A linda rosa do nosso lindo e doce amor,
Cada pétala representa uma saudade:
Cada saudade uma lágrima
Cada lágrima uma esperança
De tê-lo pra sempre ao meu lado.

Os espinhos representam as lutas que passamos
E as que ainda passaremos juntos.
Unidos a cada segundo
A cada momento
Pois este é nosso juramento
De amor eterno.

Nosso amor transfigurado nesta linda rosa
Rosa linda e delicada
Imensamente perfumada
Como o nosso lindo
Doce
E delicado amor.

Nanda Salles

Avesso de Alma

Muito honra "No caminho das emoções" mais uma Amiga e Colega a poeta Teresa Rodrigues (Sterea, Tera Sá) que fará parte da lista já extensa de Autores convidados!
Muito sucesso.
Beijos Teresa
José Manuel Brazão




Avesso de Alma

É verdade?
É mentira?
É disfarce?
De que se veste a vida
quando nos despe a vontade?
Só sei que estamos,
paramos,
quando estamos amputados
de força, de fome e gosto...
Cansados
Como flores de estufa
coberta de luto
que não aprendemos...
E a fuga esvai-se,
deixa-nos para trás,
se não desculparmos
quem nos aprisiona:
nós...

Teresa

Diana... um Anjo



Amo-te, tão ternamente
Amei-te...

tão ternamente!...
E revejo-te a ensaiar passos de encontro
aos meus passos e abraços
tão felizes,
que de amar-te guardo o riso,
guardo a fonte,
da saudade que me segue
em passos próximos...

Amei-te...
tão ternamente!...
Que em memória se me embarga
a voz, de rouca,
quando leio a história que te contou...
E as palavras que sabias, de tão poucas!,
-a mais bela, a mais ouvida, a mais gravada,
tenho-a ainda no meu peito cravejada:

-MÃE...

Ai de quem
perde o eco desse apelo
assim ceifado,
sem aviso,
arrancado!

E eu preciso
eternamente
repetir-me
a saudade,
repetir-te
eternamente:

Amo-te...
tão ternamente!...

O dia em que eu chorei para dentro

O dia em que eu chorei para dentro foi-me fatal. Essa manhã acordou já húmida, o Inverno agarrara-se a fiapos de nevoeiro, tentando aquecer-se, mas o efeito foi o contrário: fiapos de algodão levados a frio extremo transformam-se em agulhetas de gelo... que ferem, que fazem sangrar...Mas foi a humidade que me danificou, mais que o frio. O frio foi até meu amigo, paralisou-me, ficou ali comigo, petrificou-me, como se quisesse que a Dor passasse por mim sem me notar...A humidade foi-me cruel fatalidade. Não aquela que pingava na visibilidade do ar, cá fora! Não, essa não. O problema foram as lágrimas quentes, que, trementes e tementes do frio cá fora, se recolheram aos meus olhos e me caíram para dentro... Não sei bem que dano irreversível me causaram, sei lá, um curto circuito interno, sei lá!..Sei que nunca, nunca mais, consegui voltar a ligar a alavanca de Arquimedes, e erguer-me acima do nevoeiro......e o sol que consigo, é sol inventado, algures entre uns olhos de mar e uns olhos de mel... e um bater de asas de anjo...

Tera Sá

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Sorriso para amar


Como é belo
olhar o teu sorriso!

Sinto-o
como um carinho,
um afecto, um beijo.

Estamos distantes,
estendemos as mãos
e ficamos próximos!

Olhamo-nos,
abraçamo-nos
e juramos
um ao outro
fidelidade
e felicidade,
sem fim…

José Manuel Brazão

És o meu luar!



És o meu luar
em plena luz do dia!

A minha paixão
é evidente
e persistente.
Não a evito,
não a oculto.

Vivo-a com vigor,
alegria,
muita alegria,
percorre o meu corpo,
caminhando
para um grande amor!

Numa noite
vimos estrelas no céu,
contemplámos,
olhámo-nos
e vi em ti
que eras o meu luar,
com luz cintilante,
luz muito brilhante,
como em pleno dia!

Não esquecerei
que nessa noite.
uma mulher encontrei,
que é o meu luar,
quer seja noite
ou dia …

José Manuel Brazão

domingo, 28 de junho de 2009

Bem-vinda, Vida!


Quando eu era muito pequena dizia para minha mãe que iria morrer aos sessenta anos!
Claro que ela retrucava: "menina, pare com isso, nunca diga uma coisa destas!" porque o seu papel de mãe certamente a obrigava a ensinar-me a viver.
Imagino que àquela altura ter sessenta anos deveria ser ter muitos anos vividos e provavelmente uma aparência desgastada. Quando vejo hoje fotos de minha avó, tias e mãe, com esta idade, tenho que aceitar que aos sessenta anos -há sessenta anos- as pessoas realmente pareciam envelhecidas.

Cresci pensando que aos sessenta anos iria morrer. Tinha mesmo a presença constante deste decreto que fiz a mim mesma (penso) desde que nasci.
Pois bem, queridos amigos, queridas amigas, dia 13 de junho fiz sessenta anos.
Primeiro, pedi ao meu querido amigo Sérgio Scabia, este ítalo/brasileiro generoso e corajoso que co-criou este site que, por favor, atualizasse minha idade na minha página de apresentação.
Depois disso, e assumindo os meus sessenta anos confessos e publicados, venho declarar que não vou morrer! Ufa!

Tenho planos, muitos projetos; estou escrevendo mais um livro - este dedicado aos meus amigos portugueses - onde, inclusive, pretendo escrever na nossa língua original.
Confesso que tem sido um esforço, mas certamente vou contar com a revisão de algum amigo lusitano que se disponha a ter paciência e tempo disponível para a tarefa de traduzir o português que escrevemos no Brasil para o português escrito em Portugal.
Voltei a fazer ioga duas vezes por semana, e sinto que meu corpo ganha a cada dia mais elasticidade, o que me permite correr pela areia da praia neste início de primavera - que de tanta beleza, alarga os nossos pulmões a cada respiração.

Iniciei aulas de canto, desejosa de saber se possuo alguma capacidade para cantar. Percebi que a música opera milagres nos processos de transformações e sinto que preciso conseguir soltar minha voz, toda vez que isso se fizer necessário. Depois, saldaria uma dívida que tenho para com meu querido neto que já na idade de gravações no computador pediu que fosse eu a crooner da sua garage band. E, ao final da nossa primeira música, ele pediu licença para adicionar à minha voz alguns efeitos sonoros que a projetaram para o fundo da trilha - o que nos fez dar tanta risada que desistimos de gravar. Eu desisti, mas ele continua a procurar a voz para a sua banda.
Depois tenho um projeto novo que é criar um espaço dentro e fora de mim para aprender a pintar. Sempre desejei expressar minha veia artística. E para isso, naturalmente, tenho que a encontrar.

E, assim, cheia de planos e projetos não me sobra tempo para morrer. E o mais importante foi perceber que existem assuntos (a maioria deles) que não compete a nós decidirmos tempos e datas. São comandos que vêm lá de cima e que nos ensinam a deixar também ir embora, como os decretos, a necessidade de controlar.
Parabéns a todos que este ano fizeram ou fazem sessenta anos. Ou mais.

Bem-vindos à Vida!

Izabel Telles

Terapeuta holística e sensitiva formada pelo American Institute for Mental Imagery de Nova Iorque.

Colaboradora do site: http://somostodosum.ig.com.br/

Pedaços



Quando estou em pedaços,
tento aos poucos me juntar,
dia a dia, passo a passo,
me reinvento em um lugar.

Renasço das cinzas,
puro céu de amargor,
pego todos meus pedaços
os reconstruo com dor.

Mas deixo alguns espalhados,
nos quatro cantos da vida,
quem sabe algum peregrino(a)
queira curar-me a ferida.

Deixo um pouco de mim,
em quase todo lugar,
talvez por que queira muito,
fazer alguém me entender e encontrar.

Quando estou em pedaços
e a vida é um quebra cabeça
em pedaços me desfaço,
até que reapareça.

Reapareça a vida
e o quente sol a brilhar
aquecendo os meus dias,
fazendo os sonhos voltar!

Rosangela

Amizade com veia


Conheço o teu paleio
Essa graça
Esse teu cheiro
Dessa amizade com veia
Não há dinheiro que luza
Que o folgo não te falte assim
Essa miúda é musa
No ciúme do teu freio
É rica porque maneja
É rica por ver-te assim
É rica porque se enrosca
Num abraço dentro de ti
Naquele brilho dos olhos
Uma riqueza sem fim
É como sentar num banco
Em passeio num jardim
Ela fica olhando o rio…
Em corrente dentro de ti.

Cristina Pinheiro