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sábado, 31 de outubro de 2009

Rosas da minha Vida


As minhas rosinhas,
rosas da minha vida,
crescem viçosas,
viradas para o Sol,
que as aquece
dando-lhes amor!

São tratadas,
com carinho
para sorrirem
num futuro azul,
como o céu!

Serão preparadas,
para repartir amor,
exalar paixão,
por quem
lhes estenda a mão
nesta magia
onde haja amor
e compaixão!

Estas rosas,
rosas da minha vida,
olhando,
vejo-as como Anjos…

José Manuel Brazão



Viviane Lima nossa habitual visitante ao ler o poema "Rosas da minha vida" reagiu com um poema que nos presenteou!

A Amizade e o Amor

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
Viviane Lima

Na cidade


E a cidade adormece
Depois do ocaso forte de um dia morto.
Nada fiz, apenas assisti ao definhar do sol.
Podia lá eu salvá-lo, se a noite se ergueu.
O ar petrificou as minhas acções
Nesta noite de verão frio.
Se quiseres grito por ti,
Mas nada mais posso fazer.
Estou atado a esta ignorância nocturna
Que vai e vem todos os dias, antes de me deitar.
Pela janela vejo a cidade,
Engolida na alta noite.
O som das luzes criam em mim
Sonambulismos de chorar.
Quero dormir!
Acordar num sonho da cidade branca
E sorrir.

Gonçalo Lobo Pinheiro

Comemorou-se o Dia Mundial do Cancro da Mama



A grande Amiga Luisa Martins pela experiência vivida faz neste texto um depoimento importante com a finalidade de alertar as Mulheres deste País em termos de prevenção!
Muito Grato e Beijos Luisa
José Manuel Brazão


Tenho-vos a dizer minhas amigas, que este dia é só um em 365 dias do ano, mas para todas nós mulheres, em todos eles nos devíamos preocupar com este assunto, ou melhor dar mais e melhor atenção a esta doença que mata milhares de mulheres em todo o Mundo.
Falando no meu caso, há 15 anos fui operada, fazendo uma mastectomia radical. Fui eu que detectei um nódulo na minha apalpação, que ainda hoje faço regularmente, ficando na altura, como é natural, muito apreensiva. Logo me pus com atenções redobradas e a tratar de imediato de fazer exames. Vejam só, tinha feito uma mamografia há cinco meses atrás e nada era visível. Ía de 6 em 6 meses á médica de genecologia, fazia todos os exames, e aconteceu.
Ficamos muito aterrorizadas quando nos é diagnosticada tal doença, mas digo-vos que depois da nossa cabeça só pensa na cura. Passa-se por estados e emoções muito fortes, mas tudo isso nos dá fé, força, alento, para continuar, acreditem.
Tudo isto para contar um pouco, só um pouquinho da dor que passei, passam e passarão várias mulheres em todo o Mundo, se não começarem a dar mais atenção a este assunto.
Ainda hoje já passados 15 anos, faço o meu “check-up” anual, e continuarei a fazer sempre, enquanto estiver viva.
Este meu pequeno texto é principalmente para chamar a atenção a todas as mulheres para efectuarem o “Rastreio”, que está ao alcance de todas, uma vez por ano. Não tenham medo. Se precocemente for detectada alguma anomalia é mais provável a sua cura, se não existir nada tanto melhor. Não tenha medo, pois detectado a tempo não será um pesadelo, mas sim um alívio.

Luisa Martins

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Liberta-te


Liberta as palavras que trazes nos dedos,
deixa-as falar pela voz dos sentidos.

Entrega-te ao mar imenso das emoções
e plana, qual gaivota ávida de alimento.

Poucas são as frases que correm nos rios
… estão secos, pelo teu silêncio…

Em jeito de segredo:
Podes sempre procurar a palavra na nascente.

Vanda Paz

Desejo de paixão


Mordo o desejo
No pulso dos teus cabelos
Destapo o olhar
No corpo nu
Nado na imensidão
Do liquido embriagante
Transpirado dos teus lábios

O ventre encontra
A tua ilharga
Descubro ecos impulsivos
Vindos do íntimo peito

Amortalho o teu manto
Com o véu da vontade
Céu aberto nas asas
Do amatório
Conjuntura
De estrelas em volúpia.

Ana Coelho

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Escassez de respostas



Submersa em minha confidencial intimidade
Vou alem da parábola, nas entrelinhas das letras.
Caçando minhas origens, escancarando as gavetas.

E na complexidade do sentir, tento a distinção.
Entre a mentira camuflada em atos brejeiros
Ou a verdade revelada somente aos travesseiros

Numa hesitação aceitável prossigo num curso livre
Escolhendo os atalhos, sentindo do norte a aragem.
A causa de tantos porquês, transportando na bagagem.

Ironicamente roubando minha certeza do depois
Fazendo-me peregrinar acarretando compunção.
Hospedando fantasmas que minam minha opção.

Nas paragens dos caminhos, sigo dispondo vestígios.
Vou delineando num amanhã próximo, minhas rotas.
Não obstante ao esforço, existe escassez de respostas...

Glória Salles

Se eu pudesse voltar no tempo...




Ontem eu senti vontade de abraçá-lo
Dizer que o amava
Quis chamá-lo para sair
Ontem eu queria conversar
Falar e te ouvir
Eu pretendia dizer o quanto você é especial
Mas acabei deixando para depois
O tempo passa tão rápido
A vida é uma correria
E foi na correria da vida que eu te perdi
A linha tênue se rompeu
As luzes se apagaram
Você adormeceu
O pesadelo do arrependimento me consome
Quantas oportunidades desperdiçadas!
Agora é tarde demais
Seus olhos não olham mais para mim
Tuas mãos estão rijas sobre o peito
Já não posso mais sentir a tua respiração
Se eu pudesse voltar no tempo
Seria mais atencioso
Aproveitaria cada segundo ao teu lado
Depois que você partiu
A letargia tomou conta do meu ser
Nada mais posso fazer
Além de recordar os nossos momentos
Sentir a tua ausência
E desejar a tua presença
Se eu pudesse voltar no tempo
Congelaria o teu sorriso
O teu abraço
O teu aperto de mão
Congelaria a vida que pulsava em ti
Ah, se eu pudesse voltar no tempo!

Maria Liberdade

Novos caminhos, mas sempre juntos!


Neste grande amor,
vivem-se momentos
de paz e harmonia,
que avivam
nossos sentimentos!

Tivemos
lições de vida,
amor distante,
mas sempre próximo:
tu aqui
e eu aí!

Sentimo-nos!

Viste Luz,
eu serenidade
e caminhamos juntos!

Em missões diferentes,
mas sempre,
sempre juntos,
nos afectos,
nos carinhos
e nas saudades!

Momentos vividos
e não esquecidos,
que constroem
laços de amor!

Tu aí,
eu aqui
e depois…
… para além
da nossa existência!

José Manuel Brazão

Tenho-te em mim


Tenho-te em mim…
No aconchego do sentir,
na avidez de te querer,
na suavidade do teu sorrir,
na felicidade de te ver.

Tenho-te em mim…
No acordar ao amanhecer,
no preparar para partir,
no chegar ao anoitecer
para contigo dormir.

Tenho-te em mim…
Na alegria e na tristeza,
na acalmia e no nervosismo,
no sentido da beleza
e em tudo o que cismo.

Tenho-te em mim…
Por tudo o que representas,
pelo filho que é nosso,
pela força com que tentas
colmatar o que não posso.

Tenho-te em mim…
Nesta vida ou numa hora,
no sol que nos ilumina,
na espera que demora
e por tudo que nos domina.

Tenho-te em mim…
De qualquer forma ou jeito,
à distância ou nos meus braços,
no encostar-me ao teu peito
Ou no observar teus belos traços!...

Tenho-te aqui e agora…
Mais logo pela noite fora,
num beijo mais profundo,
naquela palavra que cora,
daqui ao fim do mundo.

Tenho-te
da maneira mais singela.
Que seja sempre assim;
pois no amor és a mais bela.

E eu
tenho-te em mim!...

António MR Martins

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

... com frio ...




Escorre-me
sangue
do ventre.
Escorrem-me
lágrimas rosadas
dos olhos.
Escorre-me
suor
das mãos.

Estou gelada.
Tenho frio.

No chão
está uma poça
de sangue,
de lágrimas
e de suor.

Sou eu
…com frio…

Vanda Paz

Dúvidas



Rosas rubras de Maio
ou caules em rebentação?

Searas embrionárias
ou espigas e pão?

Sol e luz
ou escuro nas mãos?

Giestas, cardos, estevas
ou aves de migração?

Sol e lua no céu
ou astros caídos no chão?

Granito e basalto
ou areias varridas pelo suão?

Razão presente
ou poligamia de coração?

Dúvidas no fio da navalha.
Urge arredondar...
por excesso
ou por defeito?

Marta Vasil

Uma rosa com o teu cheiro


Se uma rosa eu cheirasse…
fosse qual fosse sua cor,
e nela, mesmo, encontrasse
semelhanças com o teu odor.

Se por ti sempre esperasse…
após dias de intenso labor
e alegre sempre ficasse
pela dádiva do Criador!...

Se de um carinho resultasse
um movimento empreendedor…
e nesse sentido ultimasse
o ultrapassar da simples dor.

Talvez as mágoas esfumasse
perante efeito encorajador
na imagem que de ti espelhasse
emanada de múltipla cor?!...

Talvez por tudo exultasse
com regozijo e pundonor
se de nossos seres ficasse
para sempre o seu amor!...

António MR Martins

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mulher de Outono


Despe-te...
Toca-me...
Vem de uma lufada
Sou folha de Outono
Relógio em enrugada
Num tom amarelo
Já quase velada
Espero o teu vento
Num banco sentada
Sem medo do tempo
Sem medo de nada
Só quero o teu vento
Perdido em nortada
Na estrela imensa
Que fica acordada
Na luz do teu dia
Falua que guia
Em noite esguia
Letra apaixonada
Em noite...
Em dia...
Ventania amada
Paisagem Idónea
Um corpo Éden
Em vento de rajada.

Cristina P. Moita

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Para nunca esquecer que passei em tua vida!


Caminhei no jardim florido do seu coração
tantas flores contei nele,
mas cada uma delas é unicamente especial!

Pessoa que transborda amor e compaixão.

Tens uma mão sempre estendida ao que precisa!
Jamais esquecerei que passei em sua vida
e que em minha lembrança viverás!

Tão amado amigo,
que minhas lágrimas colheu,
e delas lindos poemas nasceu.

Eu te admiro muito
e o meu carinho é imenso!

Psiquê


Um poema-presente da minha grande Amiga Psiquê como prova de gratidão! Tão simples ser generoso!
José Manuel Brazão

A Maravilha que Deve Ser Escrever um Livro


(...) a maravilha que deve ser escrever um livro: a invenção dentro da memória; a memória dentro da invenção; e toda essa cavalgada de uma grande fuga, todo esse prodígio de umas poligâmicas núpcias, secretas e arrebatadas, com a feminina multidão das palavras: as que se entregam, as que se esquivam; as que é preciso perseguir, seduzir, ludibriar; as que por fim se deixam capturar, palpar, despir, penetrar e sorver, assim proporcionado, antes de se evaporarem, as horas supremas de um amor feliz. Não há matéria mais carnalmente incorpórea; nem outra mais disposta a por amor ser fecundada.
Como se pode interpretar de outro modo esse velho lugar-comum de ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro? Só se em todos os casos se tratar de grandes e inevitáveis actos de amor: com a Mulher, com a Terra, com a Língua. Mas de plantar árvores e ter filhos haverá sempre muita gente que se encarregue. De destruir árvores também; de estragar filhos igualmente. Em compensação, um livro, um livro que viva, multiplicado, durante alguns anos ou alguns séculos, e que depois vá morrendo, sem ninguém dar por isso, mas nunca de uma só vez, até ser enterrado na maior discrição ou até se ver de súbito renascido, inesperadamente ressuscitado, um livro com semelhante destino - luminoso por mais obscuro, obscuro por mais luminoso -, isto é que foi sempre o que me empolgou.

David Mourão-Ferreira, in 'Um Amor Feliz'

domingo, 25 de outubro de 2009

Verde


Sempre as palavras a viverem dentro da cerca
quase secas, quase esquecidas

Pedem aos dedos que as exortem
a desbravarem-se em colinas de afecto

Aspiram libertar odores da lua
inflamar o ar em que se propagam
desvendar o mistério dos passos com que dançam

Mas o seu perfume fica sempre inatingível

Se as palavras não soletrassem na gaguez
se fossem capazes de tocar a tua alma
o verde em mim funcionaria.

Marta Vasil

Acima de tudo: amar-te Luisa!


















Serão sempre poucas as palavras sobre a Luísa e o António!

Na minha perspectiva escrever sobre ambos é tratar da Vida em consenso,
na luta de mãos dadas, é no acreditar que amanhã haverá evolução constante e que enriquecerá vida saudavelmente vivida ao longo de tantos anos, de vida conjunta, de vida de um grande Amor!

Quando falamos de dois seres que coabitam diz-se: cônjuges, mulher e marido, esposos mas nos meus Amigos Luísa e António só encontro uma palavra adequada: companheiros!

Companheiros, porquê?

Porque poderão dizer que se amam, se adoram, tu és meu, tu és minha e outras coisas meladas, mas se não forem solidários nas alegrias e nas tristezas, todas aquelas palavras, apenas são meras palavras!

Como eu entendo a Vida, o António é a pessoa que é – e que eu muito estimo fraternalmente – porque ao seu lado está uma grande Mulher: Luísa o grande Amor já dos tempos de Escola!

Não esquecerei as palavras de Ambos para comigo vestidas de grande humildade neste dia 14 de Março.

Muita Luz no vosso caminho de Amor e de Vida!

José Manuel Brazão


(Dedicado ao Amor ideal: Luisa e António Martins)

sábado, 24 de outubro de 2009

Gaivota


Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
morreria no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'Neill

...mas um dia saberás...



Como eu vivo
nesta imensa rebeldia,
de procurar
tudo o que é difícil
para conquistar!

Percorri
um longo caminho,
com pedras,
muitas pedras,
que retirei
uma a uma,
para chegar até aqui!

Parei
à beira desse caminho,
recordando imagens,
que ora sorria,
ora entristecia!

Pensei
se teria encontrado
o ser feliz!
Senti silêncio,
mas daí a pouco,
veio uma Luz
em forma de mulher,
que me disse:
…mas um dia saberás…

José Manuel Brazão

Um dia disse à Nanda que eu não sabia o que era ser feliz e ela respondeu-me: "... mas um dia saberás..."!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Silêncio


O rosto do silêncio
entrou de rompante
rasgando a serenidade
o caminho da doçura
a luz frouxa do dia
a tranquilidade da noite.
Só ficou a lua
no seu imenso silêncio
a inebriar-me neste tempo
que foi ontem e que é hoje.
Fugiram as palavras
por veredas invisíveis,
caminhos sem forma,
sem vida,
sem destino.
Ficou o vazio do tudo
e permaneceu o escuro sem cor.
As palavras que eu queria
habitam numa casa
sem morada e sem tempo
chamada SILÊNCIO.

Marta Vasil

Altar de rosas vermelhas


As tuas mãos de seda
A cor rubi dos teus lábios,
Gestos que me fazes sentir
Nos dedos arrepios
Do sol extraído do teu corpo
Fugaz,
Brisa aromática
Coroada nos meus cabelos,
Deslizam no teu peito
Vibrações virgens e loucas
No cio do amor.

Altar de rosas vermelhas
Dois corpos
Em pétalas desfolhadas,
A volúpia transpirada
Correntes de sedução
Guardadas na concha
Onde o teu segredo
Se encontra com o meu.

Ana Coelho

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Amar você


Sinto-me como se estivesse a sonhar
Quando me vejo na luz do teu olhar
Ao teu lado desejo sempre estar
O teu sorriso me fascina
tornando-me assim refém dos lábios teus.

E quando a noite fria chega
O teu amor aquece o meu coração
Desvendando no breu de uma noite triste e escura
Uma linda e iluminada constelação

Tu és a luz que faltava em minha vida
Minha paz
Minha dádiva
Eterna alegria

Amar-te é assim
Estar sempre juntos
De mãos dadas
Parceiros no mundo
Se querer todo segundo.

Amar você é assim
A melhor coisa do mundo.

Nanda Salles

Ando por aí...



Ando por aí,
recordando uma vida,
relembrando cantos
e recantos,
de outra Lisboa!

Ando por ruas
e vielas,
com a nostalgia
de outros tempos,
com a saudade
de outras imagens,
que não esqueço!

Ando por aí,
vejo muita gente,
ninguém se conhece;
somos pessoas,
mas não somos estátuas!

José Manuel Brazão

Tália



Semeei-te
na minha alma.
Herdaste o amor
que trazia comigo
e com ele
gritaste ternura.

Quis-te mulher.
Bordei-te lábios
de carmim.
Pintei-te um olhar
de mar inquieto
mas doce.

Mulher poema
que rasgas as palavras
e calas as feridas
com versos de paixão
e desejo.

Libertaste-me!

Hoje pertences-me.
Escrevo-te com as tuas mãos.
Penso-te com o teu coração.
Sinto-te com a tua alma.

Hoje
deixaremos de ser
eu e tu
passando a ser
apenas

eu.

Vanda Paz

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Silêncio das flores



Procuro nos subúrbios de mim
Aquela palavra para ti…
Ela omite-se!?
Incomoda!?
Será a força de uma flor,
Que não interessa a cor
Nem o desfolhar da dor?

Cobre-se o céu
Ao mudar o luar

Acorda o jardim
Que se defendeu
Libertando aromas…
Cores…

Nas flores que se beijam
Sem palavras
Regadas por um pé-d'água
Dos medos vindos do nada
Que eram todos teus?
Ou seriam meus?

Cristina P.Moita

Sinto-me só, mas...!



Sinto-me só,
mas eu compreendo;
sofrendo.
deixa-me sinais no meu corpo,
na minha mente.
Por vezes inquietante
e outras angustiante.
Fecho os olhos:
medito e recordo
o passado pouco distante,
vejo as imagens
dos amados que partiram;
vejo as imagens
dos amados que ficaram.
Nesse instante
não me sinto só!
Mas preciso de viver,
amando e ser amado,
por aqueles que pairam
comigo neste cativeiro terreno
e pelos outros que já pairam
ainda sem mim num mundo mais feliz!
Assim sente:
meu corpo e minha mente!

José Manuel Brazão

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Breve


Trago segredos nas pontas dos dedos
e não tenho corpo para os deixar.

Trago dunas de memórias inquietas
e o horizonte não chega para as acalmar.

É tão breve
a essência do mundo no infinito do teu olhar.
É tão grande
o meu peito quando se abre dentro da palavra.

Tocas-me no silêncio
que a minha boca encerra
e beijas-me subtilmente o desejo de te ter.

Vanda Paz

Romance


É no fundir do dia com a noite
que o romance acontece.
As pálpebras humilham-se ao sono
enquanto a luz murcha, preguiçosa.
A poeira quente da tarde recolhe-se
e a planície adormece rendida ao tacto da brisa.
As flores acomodam as fragrâncias nas pétalas sonolentas
e as palavras adormecem ronronando ao colo.
O poente liberta-se em sensualidade
e toca-me a pele, os olhos, os dedos.
Cresce a seiva dos sentidos.
Espraia-se o romance
enquanto o poema se desenrola
no silêncio da língua.

Marta Vasil

domingo, 18 de outubro de 2009

O meu poema mais lido



O meu poema "Pombo com ternura e fome" foi publicado no site "O cantinho da Poesia" em 25 de Outubro de 2007 e até hoje atingiu 35.136 leituras!

Trata-se - em minha opinião - dum poema simples, mas com as palavras envolvidas por ternura, por este econtro que nunca esqueci em pleno Terreiro do Paço-Lisboa!
José Manuel Brazão


“ Pombo com ternura e fome “

Apetecia
neste dia,
um passeio até ao Tejo
e pelo Terreiro do Paço
andei a pé.
Parei no terminal,
observando
aquela sala gigante.
Parando
junto de mim
um pombo habitante
daquela sala,
que debicava, debicava
e nada encontrava!
Chamei por gestos;
junto de mim parou.
Por largo tempo
não me deixou!
E olhando
aquele pombo habitante
de penas azuladas
e iris avermelhadas,
cheio de fome e ternura,
deixando
as minhas mãos dar-lhe mimos,
sem voar revoltado;
apenas um pombo esfomeado.
Fiquei agradecido
por este novo amigo.
Lembrei-me das crianças
que nas mesmas condições,
ainda têm forças
para nos lançar olhares de ternura
aguardando que nossos corações,
se lembrem
que elas existem.
No meu regresso
e tendo como despedida
olhares de ternura,
ainda me disse:
“Quando voltares
a esta sala gigante,
cá estarei
e ficarei junto a ti,
para descansares
e veres que ainda existo;
como pombo e amigo”.

José Manuel Brazão

Mantenho o meu equilíbrio
Não vacilo
Nem com vaidade
Nem mediocridade
Sigo o meu estilo
Agarro num sorriso debotado
Que cheira a lavado
Faço um quadro.

Dentro do pensamento
Se for bom o gosto
Ninguém o paga
Entrega-se numa imagem
Que se guarda
Pedra sobre pedra
Sem uma montagem brejeira
Que se arrecada.

Cristina P. Moita

sábado, 17 de outubro de 2009

Antologia "Tu cá tu lá"



(Clique esta imagem)

Paradoxos



Por detrás das cortinas
olhar dissimulado
ao passar das horas mudas.
Agitadas.
Longas.

Estendendo o tempo
quase ao limite da ruptura.

Horas de há muitos dias
inscritas nas paredes
sufocadas de ilusão.
Inscritas nos mosaicos amassados
pelo acotovelar do riso da vespa
e da lágrima da borboleta.
Inscritas no tecto
a coalhar instantes
de tudo e de nada
de luar e de escuro.

Marta Vasil

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Momentos com Maria Liberdade


coisas que mais o homem busca é a felicidade. E o que mais se ouve as criaturas afirmarem é que são infelizes.

Esse é infeliz porque não tem dinheiro. Outro, porque lhe falta saúde, outro ainda, porque o amor partiu. Ou nem chegou.

Um reclama da solidão. Outro, da família numerosa que o atormenta com mil problemas.

Um terceiro aponta o excesso de trabalho. Aquele outro, reclama da falta dele.

Alguém ama a chuva, o vento e o frio. Outro lamenta a estação invernosa que não lhe permite o gozo da praia, dos gelados e do calor do sol.

Em todo esse panorama, o homem continua em busca da felicidade. Afinal, onde será que Deus ocultou a felicidade?

Soberanamente sábio, Deus não colocou a felicidade no gozo dos prazeres carnais. Isso porque uma criatura precisa de outra criatura para atingir a sua plenitude.

Assim, quem vivesse só pelos roteiros da terra, não poderia encontrar a felicidade.

Amoroso e bom, o Pai também não colocou a felicidade na beleza do corpo. Porque ela é efêmera. Os anos passam, as estações se sucedem e a beleza física toma outra feição.

A pele aveludada, sem rugas, sem manchas, não resiste ao tempo. E os conceitos de beleza se modificam no suceder das gerações. O que ontem era exaltado, hoje não merece aplausos.

Também não a colocou na conquista dos louros humanos, porque tudo isso é igualmente transitório.

Os troféus hoje conquistados, amanhã passarão a outras mãos, mostrando a instabilidade dos julgamentos e dos conceitos humanos.

Igualmente, Deus não colocou a felicidade na saúde do corpo, que hoje se apresenta e amanhã se ausenta.

Enfim, Deus, perfeito em todas as suas qualidades, não colocou a felicidade em nada que dependesse de outra pessoa, de alguma coisa externa, de um tempo ou de um lugar.

Estabeleceu, sim, que a felicidade depende exclusivamente de cada criatura. Brota da sua intimidade. Depende de seu interior.

Como ensinou o extraordinário Mestre Galileu: “o reino dos céus está dentro de vós.”

Por isso, se faz viável a felicidade na terra. Goza-a o ser que não coloca condicionantes externas para a sua conquista.

É feliz porque ama alguém, mesmo que esse alguém não o ame. É feliz porque pode auxiliar a outrem, mesmo que não seja reconhecido.

É feliz porque tem consciência de sua condição de filho de Deus, imortal, herdeiro do universo.

Não se atém a picuinhas, porque tem os olhos fixos nas estrelas, nos planetas que brilham no infinito.

Se tem família, é feliz porque tem pessoas para amar, guardar, amparar.

Se não a tem, ama a quem se apresente carente e desamparado.

Se tem saúde, utiliza os seus dias para construir o bem. Se a doença se apresenta, agradece a oportunidade do aprendizado.

Nada de fora o perturba. Se as pessoas não o entendem, prossegue na sua lida, consciente de que cada qual tem direito a suas próprias idéias.

Se tem um teto, é feliz por poder abrigar a outro irmão, receber amigos. Se não o tem, vive com a dignidade de quem está consciente de que nada, em verdade, nos pertence.

Enfim, o homem feliz é aquele que sabe viver plenamente cada momento de sua vida e que a verdadeira felicidade reside na conquista dos tesouros imperecíveis da alma.

"Que os Anjos iluminem seus caminhos"

Maria Liberdade

Ele e a Luz apareceram!


Como eu sofri
Por esta causa!

A dor
dos que sofrem,
deixa-me
em angústia profunda!
Sinto-me
em luta sem fim,
para ajudar,
procurando a esperança,
um gesto divino!

Eis
que chegou!

Não sei se sorrir,
se chorar!

Mas sei
que Ele me ouviu
e agradeço-Lhe…
por me ouvir,
pelo gesto divino!

José Manuel Brazão

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Banco de jardim




Apetece-me!
Hoje sento-me no banco do jardim.
Aqui espero a tua chegada.
Hás-de vir um dia, eu sei.
Rodeiam-me os passos do sossego.
Ao virar a face creio em ti no horizonte.
Não estou aqui a todo o momento;
Vou e venho amiúde, e me tolero
Neste jogo de anseio.
Entretanto se chegares e não me vires,
Pergunta por aí onde me encontro.
Não creio que o banco de jardim te responda
Pois nele não mais me sentei.

Gonçalo Lobo Pinheiro

Laços de Amor



Um amor sem hesitação,
que nasceu no Lago da Paixão,
com a Lua a contemplar!

Amor crescente,
em que acreditamos,
e seguimos sempre juntos!

Lindo sonho,
Sonho real:
amanheceu dentro de mim!

Amor por ti,
amor da minha vida,
em que a Lua apenas te sorri,
mas o amor não será vadio!

Acreditas
e já tens saudades do futuro,
com o teu sorriso,
para o poeta e as rosas,
dizes:
eu sou tua e tu és meu!

José Manuel Brazão

Um poema baseado em títulos de poemas de Nanda Salles e meus!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tocar no tempo


Hoje queria tocar no tempo
Com toda a calma do vento
Aquela que nem sempre me apraz
A calma que só se sente
Quando se tem o amor à frente
No silêncio que ele traz
A calma do toque de um beijo
O alento da mão a amar
O meu olhar com respeito
No doce do teu olhar
Venerar o teu sorriso
No segredo do nosso olhar
Segredar-te ao ouvido
Na leveza de te mimar
E sentir que parou o tempo
Só depois dele passar.

Cristina P. Moita

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Quando e doces palavras



Quando

Quando eu não mais existir
Procure-me nas flores
Eu serei o doce perfume que delas emana suave aroma
Quando eu não mais existir
Procure-me na chuva
Eu serei a água
Que molha seu corpo para te refrescar
Quando eu não mais existir
Procure-me em você mesmo
Eu serei a doce lembrança de um lindo e verdadeiro amor
Quando eu não mais existir
Procure-me na lua

Eu serei aquela que te ilumina
e fascina em noites de solidão
Quando eu não mais existir
Procure-me nas ondas
Eu serei aquela que vem bater na areia para dizer
Sempre estarei contigo porque
Ainda Te Amo!!!

Nanda Salles



Doces Palavras

Quando te leio,
tuas palavras
escorrem doçura!

Mulher bela
de sorriso natural,
ternura,
dás à tua beleza
o que vai na tua alma!

Olhas-me e serenas
apenas com o meu olhar!

É apenas o olhar,
porque meu coração
é um coração sofrido!

Ele aguenta tudo:
até dar amor aos outros
e eu tão carente dele!

Aguenta
com as doces palavras
de ti
e de muitos outros…

José Manuel Brazão

A cada ciclo da Lua


Deste sangue que me escorre da alma,
desta dor que se enlaça à carne,
provocando-a,
devorando-a…
Fica um segmento de vida
pendurado num tempo que jamais retorna.

Palpita-me que o pensamento fugiu
à vontade de ficar.
Que as cordas
que tocam a voz aposentaram-se
cansadas de gemidos silenciosos
e de gritos que se recolheram
à chegada da dor.

Para que não deixe o corpo morrer
injecto-me de palavras
que me enchem o peito de ar
e brilho nos olhos.
Só o oxigénio de um poema me faz renascer.
Só o chão feito de roldanas aguçadas
faz mover as frases compostas de esperança,
não esmorecendo o sorriso.

Por vezes também vens, atenuando-me a dor
ao embriagar-me os sentidos.

Vou rasgando devagar o tempo.
Vou alimentando aos poucos
o futuro que já se adivinhou,
tentando me convencer que o sol vai lá estar,
mesmo em céu encoberto e frio.

Cego-me sempre,
ao nascerem-me lágrimas rosadas, a cada ciclo da lua.

Vanda Paz

Abrindo as portas que há em nós



segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sigo por uma estrada


Todos os dias sigo por uma estrada,
por uma estrada com curvas e lombas,
sigo também em rectas
e por todas abro bem os olhos...

Olho na frente e suas bermas, carregadas de cores,
que mudam no espaço e no tempo.
Vejo murros cinzentos e gradeamentos,
rosinhas e rosas algumas já murchas
outras lindas e viçosas.

Campainhas abertas que mudam
em cada manhã descoberta,
em cada história que é certa
numa paisagem deserta
ou coberta de papoilas, azedas e trevos.

Imagens pintadas nas estações e no tempo…
A vida o momento e o movimento...

O gato que salta,
no miar do tempo corre e trepa,
numa árvore robusta ou noutra já seca,
o cão que não o vê,
envolto no rebanho que passa.

O cavalo parado, preso na corda
muito bem amarado
com o alimento ao lado,
em fardo compresso de palha.

Contemplei as begónias, num murro risonhas,
brancas e rosáceas em cachos vertidos,
junto às trepadeiras nos arames farpados.

Escutei o riso e o choro das crianças
que acordam na beleza da manhã…
O orvalho caído em formosura cristalina e límpida,
no verde das folhas ainda bem hirtas e maduras,
numa gota transparente e pura.

Havia no tempo fios repletos de andorinhas,
num aroma a maça, de uma manhã…
só mais uma com gomos de romã
e brincos de cerejas, num cheirinho a hortelã!

Frutos que nascem…na memória que esboça,
dos caminhos passados. ..
No cheiro a pinheiro e no fruto do marmeleiro
…de quem passou por lá!
No sibilar do andar do vento…

Cristina P. Moita

O que é ser Poeta
















Ser poeta...

É caminhar
sob as nuvens sorrateiras,
movidas na mente
dos criadores
e nos socalcos do esplendor...
curando bebedeiras.

É usurpar,
temporariamente,
a palavra,
desenvolvê-la
e acumulá-la...
e, num ápice,
oferecê-la,
enfeitada,
à comunidade.

É desenvolver
empatias
e discordâncias,
perante as frases
que constrói,
sem repulsa,
e que com carinho
sempre usa.

É adornar
gestos envolventes,
recheados de travos
de mel,
com flores (das mais belas)
engalanados,
com intenção de superar
todo o fel.

É afrontar
a consciência
de um todo...
e esta medite sobre
as injustiças,
as represálias,
as explorações
e outras sensações,
para que ninguém
caia no lodo.

É conciliar
opiniões,
no âmbito
da plenitude da escrita,
sonhando...
que ela atinja o auge
e nunca se transforme
na desdita.

É provocar
celeuma
em todas as perspectivas
e colmatar
discernimentos...
dando ao uso
das palavras
uma superior
mescla de sentimentos.

É perpetuar
a imagem
da coragem
e da dor,
no sentido
de gerar conflitos
na razão,
para que as
gerações vindouras
possam usufruír
de mais e mais amor!...

António MR Martins

Acordar


Morder os sentimentos até ao osso
para que as palavras comecem a falar
-seja a gemer, seja a gritar.

Que a planície acorde da lassidão
e acordem as mãos que retraio no peito
Que sopre uma brisa musical
e me devolva as cordas do violino
Que as pupilas cresçam nómadas
e descubram novos fulgores para os sentires
na íris, há tanto tempo acomodados
Que o luar me volte a lamber os dedos
e faça estremecer as imagens apagadas no peito.

Marta Vasil

Recordando...



Tó e Zé – Amigos divinais

Logo que entrei no Luso um dos meus primeiros visitantes foi o António!

Senti dentro de mim que estava ali um bom homem e uma boa Alma!

Decorreu o tempo e criou-se uma amizade florescida e fortalecida devido ao bom trato que ele usa com todos os Colegas!

Recordo as malandrices que lhe tenho feito ao longo deste tempo e ele sereno com sorriso aguentando com a sua humildade permanente as malandrices mais provocantes!

E só tenho convivido assim com ele, porque o considero um querido Amigo!

Amigos assim procuro conservá-los e agradecer a Ele por me ter concedido tais graças.

Fiquei muito feliz, aliás senti um momento feliz quando recebi a notícia do lançamento do seu primeiro livro de poesia “Ser Poeta” no dia 14 de Março!

A sua humildade e discrição vão ser premiadas e ao António o poeta desejo-lhe muito sucesso!

Ao António ser humano e meu Amigo que tenha muitas primaveras divinais com a Luisa sua companheira e o Gonçalo seu filho!

Saudações poéticas

Abração

José Manuel Brazão

domingo, 11 de outubro de 2009

Interpretação




Sempre o amor se escreveu em textos.

Com verbos presentes, futuros ou passados
palavras que acordam a rir em cada instante
ou adormecidas com os olhos cansados.

Com advérbios de lugar e de tempo
onde o amor espreita por frestas embriagadas
ou à noite se deita em lençóis de lamento.

Com substantivos concretos e abstractos
em palavras de nítida caligrafia
ou em palavras que falam a língua dos astros.

Com adjectivos perto ou longe do coração
para qualificarem as inúmeras palavras
que enchem o côncavo da mão.

E assim o amor se compõe em textos
tão gramaticalmente correctos.

E revista a pontuação
acontece uma e outra leitura
a que não conseguimos dar interpretação.

Marta Vasil