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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Meu amor, meu amor




Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.
Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.
Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento
este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.
José Carlos Ary dos Santos

Vida sonhada


Sonhas,
sonhas perdidamente,
a vida que querias,
mas não tens!
Olhas o passado
e recordas
as promessas da vida.
Olha em frente,
agarra a esperança,
com o coração,
com a convicção
de que o sonho
há-de ser realidade.
Um dia a Luz virá,
o teu sorriso lindo,
retornará;
e a vida sonhada,
será,
vida para amar …

José Manuel Brazão

Não sei quantas almas tenho



Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
quem sente não é quem é,
atento ao que sou e vejo,
torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
é do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
assisto à minha passagem,
diverso, móbil e só,
não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
o que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
o que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Há nove anos no inferno









Há nove anos no inferno
Texto ● Hernâni Von Doellinger
hernani.doellinger@24horas.com.pt
É um calvário sem fim.





Filomena Teixeira, a mãe de Rui Pedro, o menino que desapareceu de Lousada há nove anos, está mais uma vez internada no Hospital Magalhães Lemos, no Porto, para isolar-se do mundo e receber apoio psiquiátrico. Na semana passada foi a Lisboa
saber novidades sobre o processo e regressou a casa completamente transtornada.
Teve mais uma recaída. “Acontece-lhe de vez em quando. Há qualquer coisa que ela não aceita bem e vai-se logo abaixo. Aí, são os próprios médicos do hospital que recomendam uns dias de internamento, para que ela não fale com ninguém sobre este assunto que tanto a atormenta”, explicou ontem ao 24horas Carlos Teixeira, irmão de Filomena e tio-padrinho de Rui Pedro.
As últimas notícias vindas a público sobre o caso do seu filho também ajudaram a abalar os frágeis nervos de Filomena Teixeira, que ficou sobretudo incomodada com a revelação de factos “que estavam em segredo de justiça”, conta ainda o irmão.
Pequena discussão em família ao que o 24horas apurou, Filomena deslocou-se a Lisboa, na terça-feira da semana passada, para encontrar-se com o seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, e consultar o processo judicial relativo ao desaparecimento do filho.
E já não veio a mesma, quando voltou a Lousada.
“Sempre que existem notícias que não lhe agradam, ela volta a recair. Desta vez, chegou a casa, teve uma pequena discussão com a família, piorou e acabou por ser internada na passada sexta-feira”, revela Carlos Teixeira. A alta hospitalar deverá acontecer hoje ou amanhã.
Contactado pelo 24horas, o advogado Ricardo Sá Fernandes refugiou-se no respeito pelo segredo de justiça para confirmar apenas que reúne “regularmente” com Filomena Teixeira, prometendo novidades sobre o caso de Rui Pedro “lá para o fim do ano, princípio do próximo”.
Nas mãos de vários especialistas há nove anos que Filomena vive este inferno, a terrível angústia de velar um filho que ela acredita que não morreu. Para se aguentar, há quatro anos que é seguida no Magalhães Lemos, um hospital psiquiátrico, onde amiúde é internada, cada vez que sobrevem uma crise quase não passa um dia sem consultas psicológicas ou psiquiátricas e só funciona continuamente medicada à base de calmantes. Frequenta também consultas de neurologia e nutricionismo, devido à tendência para emagrecer demasiado por causa dos nervos, e ocupa-se ainda em terapias de entretenimento, com o objectivo se distrair e esquecer o drama da sua vida.
Em casa, todos estão ao lado de Filomena, sobretudo nos piores momentos. “Tem uma filha,
que lhe dá todo o carinho. Tem o marido, que a apoia. Tem ainda a mãe, que a ajuda, e
tem-me a mim. Todos tentamos acalmá-la quando ela fica mais agitada e protegê-la de situações mais delicadas”, diz o irmão, Carlos Teixeira. ■
Filomena Teixeira está de novo no hospital psiquiátrico.
Tem sido sempre assim desde que o filho desapareceu:
medicamentos, consultas, crises, internamentos... e uma dor imensa que não passa A tensão
a que se viu sujeita ao longo dos últimos dias levou a mãe do Rui Pedro a ser internada no hospital
MÃE DE RUI PEDRO VOLTOU A SER INTERNADA NO MAGALHÃES LEMOS
factos
20 ANOS. Rui Pedro desapareceu de Lousada, perto de casa, na tarde de 4 de Março de 1998.
Tinha 11 anos de idade. Se for vivo, como acredita a mãe, terá hoje 20.
QUARTO. Filomena mantém o quarto do filho tal e qual ele o deixou há nove anos.
Televisão, consola de jogos, poster da actriz Sandra Bullock, tudo está no mesmo lugar.
Uma filha para criar Filomena está dependente dos medicamentos que a acalmam, mas o seu irmão garante que ela não é nenhuma alienada. “Pelo contrário.
Ela está sempre atenta a tudo o que é escrito e dito sobre o caso do Rui Pedro, fazendo o seu
próprio arquivo, avançando com contactos, nacionais e internacionais, mas sobretudo dá toda a atenção à filha de 18 anos que entrou este ano na Universidade”, diz Carlos Teixeira ao 24horas. Sobra, porém, pouco tempo e disposição para o retorno à vida social de antes do desaparecimento do filho. Ainda assim, Carlos afirma que Filomena “continua a ter uma ou outra pessoa amiga com quem gosta de conversar”.
Manter a esperança. O caso da pequena Maddie que desapareceu há meses no Algarve e as últimas notícias da comunicação social sobre os casos do Rui Pedro e do Rui Pereira puseram mais pressão sobre Filomena Teixeira.
Como é que se sobrevive a semelhante drama? Filomena acredita que “não há uma fórmula igual para todas as pessoas” que passam por situações semelhantes.
Para ela, “manter a esperança é uma das fórmulas mais eficazes”, conforme declarou numa recente entrevista concedida ao “Jornal do Centro de Saúde”. “No dia em que perder a esperança, deixo de viver”, acrescentou a mãe de Rui Pedro.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Momentos felizes

Até ao presente existiram cinco grandes momentos felizes na minha vida. Refiro-me aos nascimentos dos meus Filhos e dos meus Netos. O dia 27 de Novembro de 1981 ( Paulo ) é um deles. São dias memoráveis que ao longo do tempo faz crescer o Amor que só um pai e uma mãe sabem sentir ou descrever. Em 2003 e , a propósito, escrevi um poema alusivo à data e do qual citarei uma parte:

"Procuras o teu caminho,
com convicção,
à busca da felicidade.
Procura;
não desistas.
Verás a luz do teu caminho!"

Com isto pretendo que estas palavras sejam uma mensagem futura para Filhos e Netos.
E a Vida continua ...

José Manuel Brazão

Coração polar


Não sei de que cor são os navios
quando naufragam no meio dos teus braços
sei que há um corpo nunca encontrado algures no mar
e que esse corpo vivo é o teu corpo imaterial
a tua promessa nos mastros de todos os veleiros
a ilha perfumada das tuas pernas
o teu ventre de conchas e corais
a gruta onde me esperas
com teus lábios de espuma e de salsugem
os teus naufrágios
e a grande equação do vento e da viagem
onde o acaso floresce com seus espelhos
seus indícios de rosa e descoberta.
Não sei de que cor é essa linha
onde se cruza a lua e a mastreação
mas sei que em cada rua há uma esquina
uma abertura entre a rotina e a maravilha .
Há uma hora de fogo para o azul
a hora em que te encontro e não te encontro
há um ângulo ao contrário
uma geometria mágica onde tudo pode ser possível
há um mar imaginário aberto em cada página
não me venham dizer que nunca mais
as rotas nascem do desejo
e eu quero o cruzeiro do sul das tuas mãos
quero o teu nome escrito nas marés
nesta cidade onde no sítio mais absurdo
num sentido proíbido ou num semáforo
todos os poentes me dizem quem tu és.

Manuel Alegre

sábado, 24 de novembro de 2007

Há dias


Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo
nos cai em cima
depois ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam
não lhes sei o nome
uma ou outra parece-se comigo
quero eu dizer :
com o que fui
quando cheguei a ser luminosa
presença da graça
ou da alegria
um sorriso abre-se então
num verão antigo
e dura
dura ainda.
Eugénio de Andrade

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Gostava tanto de dizer que te amo...


Como teu grande Amigo e grande admirador da tua Obra, considero este texto um belo trabalho, talvez o melhor trabalho de prosa que já escreveste e que seja do meu conhecimento.

No deserto da minha alma cubro-me de areia como lençóis que aconchegam um peito vazio.Cerro os punhos e sinto o calor do desabafo das palavras que encerro entre os dedos.Gostava tanto de dizer que te amo… com o romantismo de um cenário de estrelas a brilhar, um abraço forte, um beijo quente e o som do mar…Sonhos… apenas sonhos vestidos de branco como se algo de puro tivessem…Com as palavras pinto quadros que penduro nos meus pensamentos… pinto os meus desejos com cores brilhantes e depois, sempre que a vida escurece, penso… penso… para sentir o brilho e voltar aos sonhos…O sorriso, trago-o no bolso do casaco… à espreita…O olhar de felicidade esconde-se por traz dos óculos escuros…Sei que te tenho… sinto-o… leio no teu olhar…Um olhar que me abraça… que me beija…Gostava tanto de dizer que te amo… pela amizade que me trazes, pelo homem que és, pelo coração enorme que bate em ti… por existires e sorrires para mim…O mar contempla-nos, ri-se de nós… companheiro fiel, guardador de mensagens que se apanham no ar num silêncio ensurdecedor entre nós dois…Mato o meu desejo no teu corpo… mato a fome de ti, dos desejos, em encontros fugazes de paixão… da serenidade inquietante com que me chamas para junto de ti…És o meu porto, o meu cais de abrigo… o farol que me guia quando me perco… quando me sinto só…Encosto-me nas recordações… sinto-te em mim… cheiro-te entre os molhos de rosas vermelhas.Saboreio os teus lábios em cálice de aguardente num bouquet de aromas complexos… como o amor….
Vanda Paz

Existo sim ...



Existo,
existo sim…
Como as estrelas
que vês
no céu…
Como a brisa
que te beija
pela manhã…
Como o
cheiro intenso
da hortelã…
Existo,
existo sim…
Como a lua
que ilumina
a tua madrugada…
Como a água
que sacia
a tua sede…
Como o peixe
que vem na rede…
Existo,
existo sim…
Como o mar
que abraça
a praia…
Como as palavras
que fazem
doce poesia…
Como o arco-íris
que aparece
como por magia…

Tália

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Vida


Cai o pano,
chega o vazio,

cresce a mágoa.

A sala

está cheia de nada.

Acaba o teatro,

mata-se a personagem.

Cada um segue o seu caminho.

E o actor…

Morre também,

outra vez…

As lágrimas

já de nada servem…

A vida … essa …

Já não tem brilho…

Que se apaguem as luzes,

para sempre…
Vanda Paz

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Manual para subir montanhas


A] Escolha a montanha que deseja subir: não se deixe levar pelos comentários de outros, dizendo “aquela é mais bonita”, ou “esta é mais fácil”. Você irá gastar muita energia e muito entusiasmo para atingir seu objetivo, portanto é o único responsável, e deve ter certeza do que está fazendo.
B] Saiba como chegar diante dela: muitas vezes, a montanha é vista de longe – bela, interessante, cheia de desafios. Mas quando tentamos nos aproximar, o que acontece? As estradas a circundam, existem florestas entre você e e seu objetivo, o que aparece claro no mapa é difícil na vida real. Portanto, tente todas os caminhos, as trilhas, até que um dia você está em frente ao topo que pretende atingir.
C] Aprenda com quem já caminhou por ali: por mais que você se julgue único, sempre alguém teve o mesmo sonho antes, e terminou deixando marcas que podem facilitar a caminhada; lugares onde colocar a corda, picadas, galhos quebrados para facilitar a marcha. A caminhada é sua, a responsabilidade também, mas não se esqueça que a experiência alheia ajuda muito.
D] Os perigos, visto de perto, são controláveis: quando você começa a subir a montanha dos seus sonhos, preste atenção ao redor. Há despenhadeiros, claro. Há fendas quase imperceptíveis. Há pedras tão polidas pelas tempestades, que se tornam escorregadias como gelo. Mas se você souber onde está colocando cada pé, irá notar as armadilhas, e saberá contorna-las.
E] A paisagem muda, portanto aproveite: claro que é preciso ter um objetivo em mente – chegar ao alto. Mas à medida que se vai subindo, mais coisas podem ser vistas, e não custa nada parar de vez em quanto e desfrutar um pouco o panorama ao redor. A cada metro conquistado, você pode ver um pouco mais longe, e aproveite isso para descobrir coisas que ainda não tinha percebido.
F] Respeite seu corpo: só consegue subir uma montanha quem dá ao corpo a atenção que merece. Você tem todo o tempo que a vida lhe dá, portanto caminhe sem exigir o que não pode ser dado. Se andar depressa demais, irá ficar cansado e desistir no meio. Se andar muito devagar, a noite pode descer e você estará perdido. Aproveite a paisagem, desfrute a água fresca dos mananciais e das frutas que a natureza generosamente lhe dá, mas continue andando. G] Respeite sua alma : não fique repetindo o tempo todo “eu vou conseguir”. Sua alma já sabe isso, o que ela precisa é usar a longa caminhada para poder crescer, estender-se pelo horizonte, atingir o céu. Uma obsessão não ajuda em nada a busca do seu objetivo, e termina por tirar o prazer da escalada. Mas atenção: tampouco fique repetindo “é mais difícil do que eu pensava”, porque isso o fará perder a força interior.
H] Prepare-se para caminhar um quilômetro a mais: o percurso até o topo da montanha é sempre maior do que o que você está pensando. Não se engane, há de chegar o momento em que o que parecia perto ainda está muito longe. Mas como você se dispôs a ir além, isso não chega a ser um problema.
I] Alegre-se quando chegar ao cume: chore, bata palmas, grite aos quatro cantos que conseguiu, deixe que o vento lá em cima (porque lá em cima está sempre ventando) purifique sua mente, refresque seus pés suados e cansados, abra seus olhos, limpe a poeira do seu coração. Que bom, o que antes era apenas um sonho, uma visão distante, agora é parte da sua vida, você conseguiu.
J] Faça uma promessa: aproveite que você descobriu uma força que nem sequer conhecia, e diga para si mesmo que a partir de agora irá usa-la pelo resto de seus dias. De preferência, prometa também descobrir outra montanha, e partir para uma nova aventura.
L] Conte sua história: sim, conte sua história. Dê seu exemplo. Diga a todos que é possível, e outras pessoas então sentirão coragem para enfrentar suas próprias montanhas.

Paulo Coelho

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O valor das boas imagens


Sei que o mundo está em guerra. Sei que não está nada fácil olhar para as cenas de degradação e abuso dos seres humanos. Sou impactada, como você também é, por imagens chocantes que aviltam minha alma, minha dignidade e esbofeteiam o meu coração. Estamos em plena guerra de imagens do horror. E sabemos que estas imagens vão directamente ser impressas no nosso mundo mental. Lá elas ficam girando e vibrando em busca de imagens semelhantes no mundo aqui fora. E, sem querer, sentimos na nossa vibração o batimento da violência, a energia do ódio, o tremor do abandono e da indiferença deste campo de concentração onde estamos todos presos.Nunca a insónia foi tão forte nos seres humanos. E quem consegue dormir assistindo, muitas vezes, deitado na cama, ao Jornal da Noite em qualquer canal de televisão nacional ou internacional?Parece que não temos mais para onde correr. O mundo está contaminado por fotografias em branco e preto onde a cor que corre nas tramas é a do sangue.Esse é o maior drama que vivemos! Exemplos sórdidos de imagens degradantes sendo veiculadas por todos os lados diminuindo quando não anulando nossa capacidade inata de criar beleza, imagens positivas e saídas triunfantes para nossos conflitos.Enquanto a humanidade não entender que o mundo aqui fora é o reflexo do mundo das suas imagens mentais, nada poderá ser feito para pôr um fim nisso.E precisamos começar imediatamente a mudar nosso filme interno para ver as cenas reflectidas no mundo externo.Recuse-se terminantemente a aceitar estas imagens dentro do seu campo electromagnético. Não seja mais um cabo que liga os fios da rede conduzindo horror e a miséria humana. Mude suas cenas internas. Nunca, jamais durma vendo TV. Tire o aparelho do seu quarto e ponha no lugar cenas dos espectáculos que a natureza nos dá todos os dias.Afaste as crianças desta guerra de imagens porque elas vão acabar achando que isso é normal e que essa é a única realidade possível.Fuja das cidades quando puder. Quanto mais, melhor. Ande descalço pela praia, na terra. Abrace o sol, tome chuva no campo, cuide de um pomar ou jardim, mesmo que esteja apenas num pequeno vaso da sua varanda.E se nada disso for possível então feche os olhos. Feche os olhos e imagine. Imagine tudo exactamente ao contrário do que querem fazer você acreditar.Imagine que caminha por um campo sob um céu azul onde um poderoso sol repousa magnificamente. Deixe o sol penetrar por todo o seu corpo e sinta que está sendo alimentado(a) pela verdade, pela força, pelos valores firmes e correctos.Insista neste exercício por vários meses, todos os dias, o maior número de vezes que conseguir. E acredite que existe sim um lugar de paz, beleza, ciclos renováveis, sombra e aconchego. E acima de tudo verdadeiro: e este lugar é junto à natureza. Vá para este lugar. Nem que seja em sua imaginação. Com este acto de reversão você pode contribuir muito para a gigantesca tarefa de re-fotografar a dignidade humana.
Izabel Telles é terapeuta holística e sensitiva formada pelo American Institute for Mental Imagery de Nova Iorque.
NOTA: Este texto está publicado no site: http://somostodosum.ig.com.br/ onde Izabel Telles é colaboradora assídua.

domingo, 18 de novembro de 2007

Luciano Pavarotti - Considerado o maior tenor




Aproximando-se o período natalício, escolhemos para mensageiro do Amor e
da Paz ,Luciano Pavarotti, um homem de Bem que a nivel artistico colaborou com artistas de vários estilos: desde Sinatra a Sting, U2, Andrea Bocelli, Celine Dion, Sarah Brightman, Iglésias (Júlio e Enrique), Brian Adams e tantos outros. Sem se considerar uma vedeta a todos emprestou a sua voz e a sua presença. A sua humildade é a nossa opção para este modesto tributo.
José Manuel Brazão

Nota: Tenor foi enterrado em Modena, cidade onde nasceu há 71 anos.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Assim é minha vida


Meus deveres
caminham com meu canto.
Sou e não sou:
é esse meu destino.
Não sou,
se não acompanho as dores
dos que sofrem:
são dores minhas.
Porque não posso ser
sem ser de todos,
de todos os calados
e oprimidos.
Venho do povo
e canto para o povo.
Minha poesia
é cântico e castigo.
Me dizem:
"Pertences à sombra".
Talvez, talvez,
porém na luz caminho.
Sou o homem
do pão e do peixe,
e não me encontrarão
entre os livros,
mas com as mulheres
e os homens:
eles me ensinaram o infinito.
Pablo Neruda

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Saúde - Dador de medula




Chegou até mim uma mensagem duma pessoa angustiada com a situação do seu companheiro: necessita dum transplante de medula ossea.


Neste espaço embora vocacionado para outras áreas terão o seu lugar todos os assuntos que a minha sensibilidade e o meu coração me aconselhem.
Por isso, apresento na integra a mensagem explicativa:

Algures durante o Verão do ano passado o António deu um jeito no ombro direito ao colocar a nossa filha mais velha (4 anos) na cadeirinha do carro. Como, ao fim de alguns meses, a dor não passava foi ao hospital. Disseram-lhe que era só um problema muscular. Receitaram-lhe uma pomada e comprimidos e mandaram-no para casa. No entanto a dor continuava. E ele voltou ao hospital. Desta vez receitaram-lhe umas injecções e mais comprimidos. Em Novembro já mal conseguia escrever pelo que foi a um médico particular. Este mandou-o fazer vários exames, incluindo um TAC. O resultado mudou a nossa vida. Era um tumor. Deram-nos a noticia numa sexta-feira, dia 30 de Dezembro. Dia 2 de Janeiro foi internado para descobrir que tipo de cancro era. Ficámos a saber que era um Mieloma Múltiplo, um cancro que circula no sangue e destrói os ossos. O resultado é poder partir um osso só por estar sentado a ver um filme. Entretanto, já teve de ser internado várias vezes. No dia de anos da nossa mais nova (2 anos) estava ele no hospital a recuperar de um coma. Já fez quimioterapia e radioterapia. Teve pneumonia, amigdalites, otites, conjuntivites... Actualmente está outra vez internado para fazer um transplante de medula. Este será um transplante autólogo, ou seja, com a medula dele. Passou por dois processos (o segundo muito doloroso) para lhe retirarem um pouco de medula. Esta amostra já foi tratada e vai-lhe ser devolvida através de injecções. Entretanto, está a fazer uma quimioterapia muito agressiva para lhe matar o máximo de células cancerígenas possível. Após esta quimio será o transplante. Infelizmente os médicos não acreditam que este transplante seja o suficiente. A previsão é de que irá necessitar de outro, desta vez de um dador (a irmã não é compatível). É agora que peço a vossa ajuda: O CEDACE (Hospital Pulido Valente - Alameda das Linhas de Torres, 117 - Telf: 217 504 100) é o local, em Lisboa, onde se podem inscrever como dadores de medula óssea. A inscrição passa pelo preenchimento de uma ficha e recolha de sangue para análise. Podem saber mais informações através do site
Por favor, se não quiserem ser dadores passem à mesma este mail. Podem ajudar a salvar o António ou outra pessoa que esteja à espera de um dador de medula. Podem esclarecer as vossas dúvidas comigo. Muito obrigada por tudo o que possam fazer.
Ana Paula Vicente 962 640 902

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Pedra filosofal


Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


António Gedeão

Coração poeta




Vives, escreves,
usas as palavras,
sempre,
sempre com o coração!
Mulher de paixão,
sonhas a vida,
com magia, alegria,
sempre com o coração!
Amas
o som dos pássaros,
amas
o som do mar,
envolves-te com as ondas,
abraça-las com amor.
Amas
o horizonte,
as pessoas …
Acaba o sonho!
Vem a ilusão …
Viverás
sempre com o coração;
coração poeta …

José Manuel Brazão

As palavras


São como cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

Ser Poeta


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Florbela Espanca

António Aleixo



Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado.
O ribeirinho não morre,
Vai correr por todo lado.
Vós que lá do vosso império
Prometeis um mundo novo
Calai-vos, que pode o povo
Querer um mundo novo a sério.
Que o mundo está mal, dizemos
E vai de mal a pior;
E, afinal, nada fazemos
Para que ele seja melhor.
Talvez paz no mundo houvesse
Embora tal não pareça,
Se o coração não estivesse
Tão distante da cabeça.

António Aleixo

sábado, 10 de novembro de 2007

Se eu pudesse ...


Se eu pudesse …
vestia o teu corpo
de rosas vermelhas!
Olhava-te,
seduzia-te …
ao meu redor,
exala do teu corpo,
o perfume de rosas.
Desse corpo
de incontida paixão,
tirei uma a uma,
cada rosa vermelha.
Teu corpo ficou belo,
muito belo …
sofri,
sofri muito...
perante o meu oásis!
José Manuel Brazão

Rosas vermelhas




Não me ofereças

rosas vermelhas,

não as devo

receber…

Por causa da sua cor,

do amor

que podem trazer…


Não me ofereças

rosas vermelhas,

com o vermelho

da paixão…

Trazem primeiro

a loucura,

logo a seguir

a desilusão…


Não me ofereças

rosas vermelhas,

deixa-me colhê-las

no teu jardim…

Das palavras

que me emprestas,

de uma amizade

que floresce…

De um amor…

Talvez…assim…



Vanda Paz

Que eu seja capaz ...




“Que eu seja capaz de também hoje, de agir de forma a trazer benefícios

a todos com quem tiver contacto directo ou indirecto.

Se não for possível contribuir para a felicidade de alguém, que eu não gere sofrimentos”




Dalai Lama

Pensar


"Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco…
Necessitamos mais de humildade que de máquinas.
Mais de bondade e ternura que de inteligência.
Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá."

Charles Chaplin (1889-1977)

Se eu pudesse deixar ...







Se eu pudesse deixar algum presente a você,deixaria aceso o sentimento de amor à vida dos seres humanos.A consciência de aprender tudo o que nos foi ensinado pelo tempo afora.Lembraria os erros que foram cometidos, como sinaispara que não mais se repetissem.A capacidade de escolher novos rumos.Deixaria para você, se pudesse, o respeito aquilo que é indispensável:alem do pão, o trabalho e a dação.
E, quando tudo mais faltasse, para você eu deixaria, se pudesse, um segredo. O de buscar no interior de si mesmo a resposta para encontrar a saída."
Mahatma Ghandi

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Há palavras que nos beijam


Há palavras que nos beijam
como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança.
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
quando a noite perde o rosto;
palavras que se recusam
aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
entre palavras sem cor,
esperadas inesperadas
como a poesia ou o amor.
(o nome de quem se ama
letra a letra revelado
no mármore distraído
no papel abandonado)
Palavras que nos transportam
aonde a noite é mais forte.
Ao silêncio dos amantes
abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

Ser Poeta


Ser poeta é sentir o mundo
é voar quando se olham as aves
é ouvir os rios nas nossas veias
é sentir o sol a queimar a pele
é sentir no corpo a força das ondas
é cantar sentimentos
é chorar ilusões
é olhar o horizonte e senti-lo nas mãos
é fazer da vida palavra
é usar a palavra para sonhar...rir...e chorar
é misturar os sentimentos...num poema
e desabafar com uma folha de papel...
É estarmos sós no mundo...
A sentir as almas que nos rodeiam...
A sentir a poesia da vida...

Vanda Paz

Amigo!


Amigo...
És tu...
Tu que não pensas só em ti,
Que me ajudas quando estou em baixo,
Que nada queres, mas tudo dás,
Tu que ris, que brincas,
Que me fazes sentir gente,
Que sou alguém...
Mas...
És também,
Tu que me dizes não, quando é necessário,
Que me corriges quando erro,
Que me levantas quando caio,
Que me seguras quando vacilo,
Que me amparas quando tremo...
Tu! Que és meu AMIGO!...


João Almeida

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Aceitando alguns erros


O filósofo alemão F. Nietzche disse certa vez: “não vale a pena viver discutindo sobre tudo; faz parte da condição humana errar de vez em quando”.Entretanto, todos nós conhecemos pessoas que fazem absoluta questão de estar certas nos menores detalhes. Nós mesmos, muitas vezes, nos incluímos nesta categoria: não nos permitimos errar.Tudo que conseguimos com esta atitude é o pavor de seguir adiante – porque certos passos exigem decisões novas, cujos resultados desconhecemos.O medo de errar é a porta que nos tranca no castelo da mediocridade: se conseguirmos vencer este medo, estamos dando um passo importante em direção à nossa liberdade.


Paulo Coelho

Desejos de avô



Na minha árvore familiar,
faltava nascer um ramo:
um neto!
Desejei,
desejei muito,
a chegada do João Afonso!
Estive ansioso,
nervoso,
esquecendo que já tinha passado,
aquela situação;
como batia o meu coração!
Aquele estado de alma passou,
quando o vi chegar,
no dia do meu aniversário.
Linda criança para mim,
que desejei,
desejei muito,
para dar amor sem fim.
Agora partilhamos o 14 de Março.
Celebrei sempre discretamente,
mas contigo será diferente;
celebrarei alegremente,
o nosso dia!
Pensando na árvore familiar,
vejo o teu ramo viçoso,
crescer,
crescer muito.
José Manuel Brazão

Mimos p'ra minha princesa


Catarina, minha princesa
passei tanto tempo
sem te ver!
Ontem, quando te encontrei,
apenas sorri,
sem ter palavras para ti.
Agarrei-te
e abracei-te;
gostaste do abraço
e disseste “ olá “
a palavra mágica
dos nossos diálogos.
Deste-me mimos;
retribui-te mimos
de coração com asas.
Sentiste o avô Zé!
Eu senti a Catarina,
minha neta,
minha princesa …
José Manuel Brazão

Para pensar


Se você retirar a sombra da tristeza que lhe cobre o olhar, observará que o sol e o tempo renasceram hoje a fim de que você possa refazer-se e recomeçar.

Não se sabe de ninguém que houvesse conseguido a restauração ou o êxito em clima de desabafo.

Sorrir atraindo dedicações e possibilidades ou mostrar a face agoniada da irritação, suscitando adversários ou problemas, dependerá sempre de você mesmo.

Ódio e medo, inveja ou ciúme, desespero ou ressentimento desajustam a mente, e a mente desequilibrada envenena o corpo.

Procure ver o melhor dos outros e dê aos outros o melhor de você, porque o pessimismo jamais edifica.

Você receberá auxílio e assistência na medida exacta das suas prestações de serviço ao próximo, recebendo ainda, por acréscimo, valiosas bonificações da Providência Divina.

Recordemos que situar-nos nas dificuldades dos outros, de modo a senti-las como se fossem nossas, para auxiliar aos outros, sem exigência ou compensação, é a maneira mais justa de garantir a paz.

Francisco Candido Xavier (Chico Xavier)

Tens um lugar no meu coração


Passaram sete anos!
Ao longo deste tempo,
sinto necessidade
da tua companhia:
de ver a tua alegria,
de ouvir as tuas palavras,
de sentir o teu carinho.
Vou buscar-te à escola,
dás-me um abraço
muito apertado,
nuito sentido,
como se soubesses
que necessito desse mimo
e necessito!
És menino de grande intuição;
percebes se estou alegre
ou triste.
As minhas emoções por ti,
fazem que no meu caminho,
tenhas um lugar no meu coração!
José Manuel Brazão

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Para ti poeta


Hoje arranquei as pedras que nasceram nos meus olhos quando partiste, deixando assim a tua imagem no meu pensamento. Deixei-me ir na cascata de uma nova esperança… na esperança de voltar a adormecer nos teus braços…Subi à montanha mais alta e fixei o olhar no mar que nos une. Deixei que a brisa trouxesse o teu cheiro e embriaguei-me de ti… deixei que o vento me beijasse os lábios e me abraçasse… sentindo-te…Deixei-me ir pelos sonhos que trago na alma e vi-me num canal de Veneza, sentindo o corpo quente por uma mão que me acariciava no balanço de uma gôndola ao som de violinos… abri os olhos eras tu que sorrias…Senti o fervor das fantasias que anseio que se cumpram algures com o brilho do teu olhar quando fechar os meus olhos pelo pico do prazer…Acordei dos sonhos ainda com o vento nos meus braços… juntei os lábios para receber o último beijo…Uma folha de Outono caiu no meu ombro e sussurrou-me ao ouvido que irias voltar… em breve…Na poesia da vida és o meu sentimento… a palavra que me faltava para preencher o espaço de um poema inacabado…

Vanda Paz

Silêncios


Trago um raio de sol

cravado no meu coração.

O peito arde num vermelho

incandescente.

O meu vestido está rasgado

pelos teus silêncios.

Os sapatos estão gastos

dos caminhos de palavras

por onde têm andado.


Já não existe brilho

no olhar......

... apenas o sorriso

de um recordar...


A águia rasga o céu,

chega com o sol da manhã.

O cantar dos corações

que se querem

procuram-se... acham-se...

nas tardes já frias

de um Outono que espera

a chegada de um beijo…

Vanda Paz

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O primeiro poema


Através da poesia e do "Cantinho da Poesia" eu e a Vanda conhecemo-nos e tornámo-nos amigos de verdade, trocando muitas impressões sobre os nossos trabalhos. Considero-a uma poeta com uma sensibilidade e técnica apuradíssimas. Com ela tenho aprendido bastante, embora tenhamos estilos diferentes.

Há bastante tempo, enviou-me um poema intitulado " O primeiro poema " que, apenas, com 14 anos escreveu-o com um jogo de palavras e com grande inteligência. Era prevísivel esta ascendência no campo poético, porque ,hoje em dia, lemos e envolvemo-nos com o encanto da sua escrita. Os seus poemas estão publicados no site aconselhado: Nectar das palavras.


O que é um papel branco
sem ter nada escrito?
É um papel ou uma folha
pintada de branco.
É talvez a amargura
de não saber escrever.
Ou talvez a tristeza
de não ter ninguém
para escrever.
Pode também ser a alegria
de uma criança...
De poder escrever
aquilo que vai na sua imaginação.
Um papel branco
sem ter nada escrito
poderá ser a descoberta
de um grande pintor
ou de um grande escritor.
Um papel branco
sem ter nada escrito
era esta folha...
Antes de ter começado
a escrever.

Vanda Paz [11-05-1984]

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Madeleine, onde estás?




Eu não sei, mas pressinto! Muitos também não sabem! Mas alguns saberão! E estamos nisto!
Esta crónica tem apenas o valor duma mensagem: Estejas Aqui ou Além ficarás sempre no meu coração ...
Fica em Paz com muita Luz!
José Manuel Brazão

Soneto da separação


De repente do riso fez-se o pranto
silencioso e branco como a bruma
e das bocas unidas fez-se a espuma
e das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
que dos olhos desfez a última chama
e da paixão fez-se o pressentimento
e do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
fez-se de triste o que se fez amante
e de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
fez-se da vida uma aventura errante
de repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

A vida por palavras


Humildade


As pessoas que têm verdadeiro valor não gostam de se exibir. São discretas e atentas aos outros.


Honestidade

Há muitas pessoas para quem o dinheiro é mais importante do que a dignidade própria.
São incapazes de ver beleza nas coisas simples e não olham a meios para enriquecer. Essas pessoas nunca terão verdadeira alegria.


Paz

De vez em quando, procura um espaço de silêncio.
O barulho excessivo é prejudicial.


Alegria

Sempre que começares o teu dia, lembra-te dos inúmeros dons que vais receber, desde o alimento à saúde do corpo. Lembra-te também do afecto que te tem sido dado, e de como é importante poderes crescer num ambiente de paz. Estes são motivos para te alegrares.


Justiça

Ninguém deve sentir-se tranquilo quando sabe que há pessoas que passam necessidades, e que há crianças que não podem ir à escola e trabalham como escravas. Colabora como puderes para a criação de uma sociedade mais justa.


Esperança

Pode olhar o futuro com esperança todo aquele que vive o presente com rectidão.


Amizade


Um amigo verdadeiro é aquele com quem podes partilhar um livro, estudar as lições, falar do que te preocupa.
Receberás dele atenção e lealdade, e não inveja, mentira ou atitudes agressivas.


Gratidão

Quem não sabe agradecer os favores que recebe não merece ser ajudado.



( Recolhas efectuadas no site: CLUBE DE CONTADORES DE HISTÓRIAS )


Desespero de Mãe









Algures na internet encontrei uma mensagem de mãe (a mãe do Rui Pedro) que me emocionou até às lágrimas pelo seu conteúdo. Recordo-me muito bem deste caso que se arrasta há vários anos e que sempre me preocupou como pai, como avô e como um ser abalado com o mundo em que vivemos.
Fico por aqui e passo a transcrever as palavras sofridas desta Mãe:

Desde que te tiraram de mim, sinto o sangue do meu ventre gotejar nas lágrimas que já não consigo chorar.Todas as noites, abro a tua cama, com a esperança que te irei lá encontrar, quando amanhecer.Já se passaram anos e todos os dias espreito em cada cantinho o teu rosto, o teu sorriso, quando corrias para mim e volvíamos de alegria em abraços, afagos de amor.Onde estás meu filho?Que te fizeram?Já te confundo com as sombras, esculpidas nas paredes desertas onde me agarro no desalento de não te encontrar.Agarro-me à tua fotografia e pergunto a quem passa:- Este é o meu filho, digam-me por favor, alguém sabe quem o levou?Sinto-me a morrer aos poucos, levaram-me tudo o que eu tinha, a vida que gerei.Malditos, malditos!Já me chamam de enlouquecida mas só descansarei quando te encontrar, não deixarei jamais de gritar pelo teu nome meu querido menino.Nunca deixarei de procurar!
Homenagem a todas as crianças desaparecidas.
Filomena Teixeira

Anjo da madrugada


Este anjo
acompanha a minha vida,
neste longo Caminho,
sempre com o mesmo fervor
e amor.
Olho para trás
e vejo só
boas recordações,
em palpitantes corações.
És um anjo da madrugada,
atento ao dia e à noite.
Para ti não há tempo!
A tua disponibilidade
e felicidade,
é para dar uma palavra,
tomar uma atitude,
fazer um afecto.
Que melhor nome este,
se já és uma aurora para nós,
um sol nascente para o Fernando,
o nosso Rich …
José Manuel Brazão